É comum pensar-se em stress, cansaço ou depressão antes da tiroide

Esta segunda-feira, dia 25 de maio, assinala-se o Dia Mundial da Tiroide. Em Portugal, as doenças da tiroide podem afetar até 1 milhão de portugueses e continuam amplamente subdiagnosticadas. A propósito da data, o Lifestyle ao Minuto esteve à conversa com Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, que falou sobre […]

É comum pensar-se em stress, cansaço ou depressão antes da tiroide
É comum pensar-se em stress, cansaço ou depressão antes da tiroide


Esta segunda-feira, dia 25 de maio, assinala-se o Dia Mundial da Tiroide. Em Portugal, as doenças da tiroide podem afetar até 1 milhão de portugueses e continuam amplamente subdiagnosticadas. A propósito da data, o Lifestyle ao Minuto esteve à conversa com Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, que falou sobre a tiroide, destacando os mitos que ainda existem sobre o assunto, assim como as doenças mais comuns e formas de prevenção.

Leia abaixo a entrevista completa.

O que é a tiroide e qual a sua função no organismo? 

A tiroide é uma glândula endócrina composta por dois lobos unidos por um istmo, em forma de borboleta, localizada na região cervical anterior e inferior, ou seja, abaixo da “maçã-de-Adão”. 

Controla o metabolismo basal, isto é, a “velocidade” a que as células utilizam energia, o que influencia o consumo de oxigénio e o gasto energético. Regula funções vitais como frequência cardíaca, função muscular, digestão, função cerebral e temperatura corporal e tem também um papel importante no crescimento e desenvolvimento, sobretudo no desenvolvimento neurológico e ósseo em crianças.

O cancro da tiroide está longe de ser a única doença desta glândula, e na prática clínica é bastante menos frequente do que outras patologias benignas da tiroideO cancro da tiroide é a única doença associada a esta glândula? Que outras doenças existem? E quais são as mais comuns?

Não, o cancro da tiroide está longe de ser a única doença desta glândula, e na prática clínica é bastante menos frequente do que outras patologias benignas da tiroide. As doenças mais comuns são, de forma geral, os distúrbios funcionais, o hipotiroidismo  e o hipertiroidismo, e as alterações estruturais benignas: o bócio e os nódulos da tiroide.

De forma simplificada, podemos agrupar as doenças tiroideias em três grandes grupos: doenças “funcionais”: alteração da produção de hormonas (hipotireoidismo, hipertiroidismo); 2) Doenças “estruturais”: aumento da glândula (bócio) e nódulos,  benignos (a maioria) e malignos; 3) doenças inflamatórias e autoimunes: tireoidites (por exemplo, Hashimoto, subaguda, pós-parto) e a doença de Graves.

O cancro da tiroide entra no grupo das doenças estruturais malignas, mas representa apenas uma pequena fração dos casos de patologia tiroideia na população.

Entre todas as patologias, as mais frequentes na população geral são:

  • Hipotireoidismo (sobretudo o primário, frequentemente autoimune): é apontado como a doença mais comum da tiroide, caracteriza-se por défice de hormonas tiroideias;
  • Hipertiroidismo: excesso de hormonas tiroideias; as causas mais habituais são doença de Graves, bócio multinodular tóxico e adenoma tóxico;
  • Bócio (aumento da tiroide): pode ser difuso ou nodular e pode resultar de défice de iodo, doenças autoimunes ou presença de múltiplos nódulos;
  • Nódulos da tiroide: a prevalência de nódulos é muito elevada, sobretudo em mulheres e com a idade, e a grande maioria é benigna; apenas cerca de 5% dos nódulos correspondem a tumor maligno;
  • Tireoidites (Hashimoto, subaguda, pós-parto, etc.): conjunto de alterações da tiroide que podem conduzir a hipotiroidismo ou a hipertiroidismo transitório ou definitivo.

Na prática clínica, o que mais se observa são casos de hipotireoidismo primário, nódulos e bócios, e não cancro. O cancro da tiroide é uma doença importante, mas relativamente rara quando comparada com outras patologias tiroideias. A maioria dos casos de cancro da tiroide são carcinomas diferenciados (papilar e folicular), com excelente prognóstico e taxas de sobrevivência superiores a 90–95% aos 10 anos. Em conclusão: podemos ter inúmeras patologias da tiroide, e o cancro é apenas uma delas, menos frequente do que as doenças benignas e funcionais.

Do ponto de vista prático, quase todas as doenças da tiroide são “tratáveis” com boa resposta e qualidade de vida, se bem acompanhadasTodas têm cura e são possíveis de tratar? 

Em geral, praticamente todas as doenças da tiroide têm tratamento eficaz; algumas são mesmo curáveis (por exemplo, muitas formas de hipertiroidismo, tireoidites subagudas, grande parte dos cancros da tiroide), enquanto outras são sobretudo controladas ao longo da vida (como o hipotiroidismo definitivo ou a tiroidite de Hashimoto). O ponto crítico é o diagnóstico precoce, o seguimento regular e adaptar o tratamento ao tipo específico de doença

Do ponto de vista prático, quase todas as doenças da tiroide são “tratáveis” com boa resposta e qualidade de vida, se bem acompanhadas. Nem todas são “curáveis” no sentido de desaparecerem (por exemplo, o hipotiroidismo crónico), mas mesmo estas costumam ficar totalmente controladas com terapêutica com levotiroxina e seguimento regular.

Os problemas da tiroide afetam mais as mulheres do que os homens?

Sim. De forma global, os problemas da tiroide são significativamente mais frequentes nas mulheres do que nos homens. Ainda assim, também podem afetar homens em qualquer idade, e é importante não esquecer esse risco. Estima-se que as doenças tiroideias sejam cerca de 4/5 vezes mais comuns no sexo feminino em relação ao masculino.

No hipotiroidismo, há estimativas de cerca de 4 mulheres afetadas por cada homem, sobretudo a partir dos 30/40 anos. A doença nodular da tiroide e as doenças autoimunes (Tiroidite de Hashimoto e Doença de Graves) são descritas como “mais comuns nas mulheres” em praticamente todos os estudos.

Quais as possíveis razões?

As doenças autoimunes em geral são mais frequentes no sexo feminino, e isso inclui, a já referida tireoidite de Hashimoto e Doença de Graves, que são grandes causas de hipotiroidismo e hipertiroidismo, o que é explicado por fatores hormonais, nomeadamente os estrogénios e fatores imunológicos.

O cansaço constante pode ser um dos sinais de problemas da tiroide, sobretudo no hipotireoidismo, embora também possa aparecer no hipertiroidismo. Mas é um sintoma muito inespecífico, por isso nunca basta, sozinho, para fazer o diagnósticoO cansaço constante pode ser sinal de problemas da tiroide?

Sim. O cansaço constante pode ser um dos sinais de problemas da tiroide, sobretudo no hipotireoidismo, embora também possa aparecer no hipertiroidismo. Mas é um sintoma muito inespecífico, por isso nunca basta, sozinho, para fazer o diagnóstico.

No hipotireoidismo, a produção de hormonas tiroideias é insuficiente, o metabolismo abranda e o organismo “funciona em modo lento”, o que gera fadiga intensa, sensação de falta de energia, sonolência e fraqueza muscular. No hipertiroidismo, o metabolismo acelera demais, o que pode provocar insónia, agitação, palpitações e, paradoxalmente, sensação de esgotamento.

O cansaço relacionado com patologia da tiroide costuma ser acompanhado de outros sintomas, por exemplo: ganho de peso e maior sensibilidade ao frio, pele seca, cabelo frágil, obstipação, lentificação e dificuldade de concentração (mais típico de hipotireoidismo). Perda de peso, intolerância ao calor, palpitações, ansiedade, irritabilidade, tremores, suor excessivo, são mais típicos do hipertiroidismo. Quando o cansaço é persistente (semanas ou meses), não melhora com descanso e  associa-se a alguns destes sinais, deve-se recorrer ao médico.

Que outros sinais devem ser um motivo de alerta?

Alguns sinais e sintomas gerais devem ser motivo de suspeita de patologia da tiroide, como por exemplo, alterações do peso, da energia, da tolerância ao frio e ao calor e mudanças do ritmo cardíaco, sobretudo quando surgem sem causa aparente; o aumento ou perda de peso sem alteração significativa da dieta ou da atividade física;  o cansaço e astenia desproporcionais ao esforço, a sensação de “falta de energia” persistente; as alterações do humor, como depressão, apatia, ou irritabilidade, ansiedade de novo ou agravada; dificuldade de concentração, queixas de memória ou “lentificação” cognitiva.

São sinais sugestivos de hipotiroidismo a intolerância ao frio, com mãos e pés frios, maior necessidade de agasalho do que outras pessoas; a pele seca e áspera, queda de cabelo, queda do terço externo das sobrancelhas, unhas frágeis, edema facial discreto, obstipação, ganho de peso ligeiro, aumento de colesterol, bradicardia, sonolência, depressão, dores musculares, caibras ou parestesias.

São sinais sugestivos de hipertiroidismo, a perda de peso com apetite preservado ou aumentado, taquicardia, palpitações, arritmias, incluindo fibrilhação auricular. Intolerância ao calor, sudorese excessiva, mãos húmidas, tremor fino das mãos, nervosismo, irritabilidade, ansiedade, insónia, fraqueza proximal  com dificuldade em subir escadas ou  levantar-se. Podem observar-se sinais físicos como bócio, ou seja, o aumento visível ou palpável do volume da tiroide ou, assimetria cervical ou pode ser mesmo visível e palpável um nódulo. Podem ocorrer sinais oculares, sobretudo na doença de Graves, como por exemplo, olhar fixo, retração palpebral, exoftalmia, sensação de areia ou olhos secos. Pode ainda existir um edema nos membros inferiores, o mixedema pré-tibial.

É comum o doente ser inicialmente enquadrado como “stress”, “depressão” ou “cansaço do dia a dia” antes de alguém pensar em patologia da tiroide  As doenças da tiroide podem ser confundidas com outras patologias?

Sim. As doenças da tiroide são frequentemente confundidas com outras patologias, porque os seus sintomas são muito inespecíficos e “imitam” doenças de vários órgãos e sistemas. Por isso o diagnóstico deve basear-se em história clínica, exame físico e, quase sempre, análises (TSH, T4L) e ecografia, e não apenas na clínica.

Porque é que se confundem? Muitas queixas são vagas, como o cansaço, o aumento ou perda de peso, as alterações do humor, as palpitações, a sensação de frio ou calor, a obstipação ou diarreia, a queda de cabelo e pele seca. Estes mesmos sintomas podem ocorrer em casos de depressão, ansiedade, anemia, doenças cardíacas, problemas de sono, menopausa, défices nutricionais, entre muitos outros. Assim, é comum o doente ser inicialmente enquadrado como “stress”, “depressão” ou “cansaço do dia a dia” antes de alguém pensar em patologia da tiroide. 

Exemplos típicos de confusão? Por exemplo, o hipotiroidismo pode parecer uma depressão, já que em ambos pode ocorrer humor depressivo, fadiga e lentificação. Pode ser confundido também com “apenas excesso de peso”, envelhecimento “normal” ou anemia. Já o hipertiroidismo pode ser confundido com ansiedade, pânico, já que em ambos pode ocorrer taquicardia, tremores, insónia, irritabilidade ou com patologia com arritmias cardíacas ou perda de peso por outras doenças.

Na tireoidite subaguda ocorre dor cervical que irradia para a mandíbula ou orelha, o que pode simular otite ou problemas dentários e a febre e mal-estar levam muitas vezes a um diagnóstico inicial de infeção vírica indiferenciada.

Na tireoidite pós-parto pode ocorrer fadiga intensa, labilidade emocional e alterações do sono que são atribuídas apenas a depressão pós-parto ou “cansaço normal de ter um bebé”.

Em suma, as doenças da tiroide podem mascarar-se de muitas outras patologias.

Como podemos distinguir hipotiroidismo e hipertiroidismo?

Hipotiroidismo e hipertiroidismo são, em essência, “opostos”. No hipotiroidismo,  a tiroide “trabalha” menos, no hipertiroidismo “trabalha” em excesso. Isso reflete-se tanto nos sintomas como nos valores das análises. A diferença básica é que no hipotiroidismo existe uma  produção insuficiente de hormonas tiroideias (T4/T3), levando a um metabolismo mais lento. No hipertiroidismo, a produção excessiva de hormonas tiroideias, acelera o metabolismo. Podemos dizer de forma muito simples que os sintomas típicos são “tudo lento” vs “tudo acelerado”.  

Que fatores de risco podem estar na origem de doenças na tiroide?

Várias doenças da tiroide estão associadas a fatores de risco bem identificados, embora em muitos casos não exista um único fator de risco, mas uma combinação de genética, ambiente e estilo de vida. Vou enumerar apenas alguns: 

  • O sexo feminino: as doenças da tiroide (hipotiroidismo, hipertiroidismo, tireoidites e nódulos da tiroide) são muito mais frequentes em mulheres, sobretudo a partir dos 35–40 anos;
  • A idade:  a prevalência de disfunção tiroideia e de nódulos aumenta com a idade, em especial no idoso;
  • A história familiar: familiares de 1º grau com doença tiroideia (autoimune, nódulos ou cancro) aumentam claramente o risco.

No caso das doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto, a doença de Graves e a  tireoidite pós-parto, pode ser fatores de risco: 

  • A predisposição genética para autoimunidade: antecedentes pessoais ou familiares de doenças autoimunes como diabetes mellitus tipo 1, vitiligo, doença celíaca ou artrite reumatoide;
  • No sexo feminino: em determinadas fases da vida como a gravidez, o pós-parto e a menopausa;
  • O tabagismo: é fator de risco para doença de Graves e  para  as formas mais graves com envolvimento ocular;
  • A dieta muito rica em iodo em indivíduos predispostos pode ser fator de risco para hipertiroidismo.

Que mitos sobre a tiroide continuam muito presentes e em que as pessoas ainda acreditam?

Há vários mitos muito enraizados sobre a tiroide que continuam a confundir as pessoas e até a atrasar o diagnóstico e tratamento adequados. Destaco os mais frequentes no consultório e na comunicação em saúde:

  • “Se tiver problema na tiroide, vou saber de certeza”. Mito: muitas pessoas acreditam que as doenças da tiroide dão sempre sintomas muito óbvios. Mas, na realidade, os sintomas são muitas vezes subtis e inespecíficos; uma parte significativa dos doentes só é diagnosticada em análises de rotina.
  • “Só mulheres mais velhas têm doenças da tiroide”. Mito: continua a ideia de que apenas mulheres após os 40–50 anos podem ter problemas da tiroide. Facto: a patologia da tiroide pode afetar homens e mulheres, e em qualquer idade, incluindo crianças, adolescentes e jovens adultos; o que é verdade é que é mais frequente em mulheres e com a idade.
  • “Hipotiroidismo engorda muito e é a principal causa de obesidade”. Mito: muita gente atribui excesso de peso importante quase exclusivamente à tiroide. Facto: o hipotiroidismo não tratado em geral causa apenas pequeno ganho de peso (2–3 kg), sobretudo por retenção de líquidos; a obesidade significativa raramente se explica só pela patologia da tiroide.
  • “Tomar hormonas da tiroide ajuda a emagrecer mesmo sem doença”. Mito perigoso: uso de hormonas tiroideias para emagrecer ou “acelerar o metabolismo” em pessoas eutiroideias. Facto: o “emagrecimento” do hipertiroidismo é sobretudo à custa de massa magra, com perda de músculo, além de aumentar risco de arritmias, hipertensão, osteoporose e eventos graves.
  • “Todo nódulo na tiroide é cancro”. Mito: qualquer nódulo é imediatamente associado a tumor maligno e à necessidade de cirurgia. Facto: apenas cerca de 5% dos nódulos são malignos; a grande maioria é benigna, não exige cirurgia e muitas vezes basta vigilância.
  • “Se tiver problema de tiroide, vou sempre ter bócio”. Mito: associação automática entre doença da tiroide e pescoço visivelmente aumentado. Facto: muitas disfunções (hipotiroidismo ou hipertiroidismo) decorrem sem aumento palpável ou visível da glândula; a maioria dos doentes com patologia tiroideia não apresenta bócio evidente.
  • “Mais iodo faz sempre bem à tiroide”. Mito: achar que suplementos de iodo são benéficos para todos e melhoram a tiroide. Facto: em países com sal iodado, a alimentação habitual já fornece o iodo suficiente; excesso de iodo pode desencadear ou agravar hipotiroidismo ou hipertiroidismo, sobretudo em quem já tem doença de base.
  • “Quem tem tiroide alterada não pode engravidar”. Mito: muitas mulheres acham que um diagnóstico de hipotiroidismo ou hipertiroidismo impede gravidez. Facto: com tratamento e controlo adequado, a maioria das mulheres engravida e tem gestações normais; o risco maior é quando a doença está descompensada e não tratada.

Em termos de educação em saúde, desfazer estes mitos é crucial: evita autodiagnósticos, atrasos no diagnóstico e reduz o medo excessivo perante achados comuns como nódulos benignos.

Que cuidados diários ajudam a proteger a tiroide?

Há vários cuidados diários que ajudam a “proteger” a tiroide e, sobretudo, a reduzir o risco de descompensar doenças em quem já tem maior vulnerabilidade. A maior parte são medidas de estilo de vida geral, não “truques específicos” de tiroide:

  • Alimentação e iodo na medida certa: Usar sal iodado de forma moderada (sem excesso de sal em geral) e incluir fontes naturais de iodo como peixe de água salgada e alguns laticínios ajuda a garantir o aporte necessário para produzir as hormonas tiroideias;
  • Evitar suplementação de iodo por iniciativa própria (gotas, algas concentradas, comprimidos) porque tanto a carência quanto o excesso de iodo podem desencadear ou agravar hipotiroidimso ou hipertiroidismo em pessoas suscetíveis;
  • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, cereais integrais, proteínas magras e gorduras de boa qualidade, garante também micronutrientes relevantes para a tiroide, como selénio, zinco, ferro e vitaminas.
    Por exemplo:  peixes e frutos do mar, ovos, frutos secos (em especial castanha-do-pará como fonte de selénio, em pequenas quantidades), leguminosas e sementes; tudo integrado numa dieta equilibrada, não como “superalimentos isolados”.
  • Consumir com moderação soja, ultraprocessados, açúcar e farinhas refinadas, que em excesso podem interferir indiretamente com metabolismo e peso corporal, além de agravar a saúde global.
  • Dietas extremas, muito restritivas ou com uso indiscriminado de suplementos “detox”, hormonas ou extratos de tiróide são desaconselhadas e podem descompensar a tiroide.
  • Garantir boa higiene do sono (7–8 horas por noite, horários regulares, evitar ecrãs antes de deitar) ajuda a regular o eixo neuroendócrino e a percepção de sintomas como fadiga ou alterações de humor que se confundem com doença tiroideia.
  • Exercício físico regular contribui para controlo do peso, melhoria da sensibilidade à insulina, saúde cardiovascular e bem-estar e  reduz o impacto de eventuais alterações tiroideias.
  • Não fumar e evitar consumo excessivo de álcool são recomendações consistentes, porque estas substâncias interferem com o metabolismo e podem agravar doenças da tiroide ou associadas.
  • Sempre que possível, reduzir exposição a certos tóxicos ambientais (alguns pesticidas, solventes, disruptores endócrinos) é sugerido como medida prudente para proteger a função hormonal, embora nem sempre seja fácil quantificar o impacto individual.

Será que existe uma lista de alimentos recomendados ou a evitar?

Existe muita informação (e alguma confusão) sobre listas de “alimentos bons” e “alimentos proibidos” para a tiroide. O que se consegue dizer com segurança é que há grupos de alimentos a privilegiar e outros a moderar, mas não há uma lista rígida universal; tudo depende se a pessoa é saudável, tem hipotiroidismo, hipertiroidismo, nódulos, faz tratamento com levotiroxina, etc.

Em pessoas com tiroide normal ou com hipotiroidismo bem controlado, o foco é dieta equilibrada, não “comida de tiroide”. Em termos práticos, deve-se privilegiar as fontes naturais de iodo em quantidade moderada, como peixe de água salgada, marisco, laticínios, ovos, sal iodado (sem exagerar no sal), os alimentos ricos em selénio, zinco e outros micronutrientes, como a castanha-do-pará (1–2 por dia), ovos, peixes gordos, leguminosas, sementes (linhaça, abóbora), cereais integrais e o padrão “saudável ou dieta mediterrânica ou atlântica  como muitas frutas e hortícolas, grãos integrais, leguminosas, azeite e outras gorduras de boa qualidade, proteínas magras (peixe, frango, leguminosas). Isto serve mais para apoiar a saúde global e garantir substrato para a síntese hormonal do que para “curar” a tiroide.

Por outro lado, de uma forma geral e ainda mais em quem já tem doença da tiroide, faz sentido limitar os alimentos ultraprocessados, como os snacks de pacote, fast-food, enchidos, refrigerantes e doces industriais, o açúcar e farinhas refinadas como o pão branco, bolos, bolachas, refrigerantes, soja e derivados: podem interferir com absorção de levotiroxina se ingeridos próximos da toma; a recomendação habitual é moderar e afastar da medicação, não proibir totalmente. 

Os vegetais crucíferos crus em grande quantidade, como os brócolos, couve-flor, couve, repolho, rúcula, em excesso e crus podem reduzir captação de iodo; mas cozinhados e em quantidades normais são perfeitamente aceitáveis. O consenso mais prudente é o equilíbrio, a variedade e evitar extremos; não há evidência robusta para demonizar alimentos isolados em pessoas com aporte de iodo adequado.

Qual a importância de um dia como o Dia Mundial da Tiroide e desta semana internacional?

Um dia como o Dia Mundial da Tiroide, e a Semana Internacional, são fundamentais porque tiram a tiroide e as patologias da tiroide da “sombra” e colocam-na no centro da conversa pública. Ao falar destas patologias, estas campanhas ajudam a desmontar mitos, a corrigir informação errada e a tornar os doentes mais capazes de reconhecer sinais de alerta e a procurar assistência médica.

Num vídeo publicado nas redes sociais, a influencer Bruna Corby partilhou que foi diagnosticada com cancro da tiroide. Revelou que acabou por desvalorizar um sinal. Conheça outros que não deve ignorar.

Adriano Guerreiro | 18:36 – 24/04/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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