
A história de amor de Pedro e Inês de Castro está presente em cada canto de Coimbra, fundindo-se na perfeição com a energia dos estudantes da universidade que, em altura de aulas, deixam a cidade com uma energia única.
E se assim é no centro, onde a vida acontece, imagine-se quando se chega à Quinta das Lágrimas, onde logo ao lado é possível encontrar um hotel que recebeu o mesmo nome.
É difícil ficar indiferente ao percurso até à entrada. É a natureza que abraça, evidenciando o lado mais romântico de cada pessoa, mesmo naquelas que não são muito dadas a essas sensibilidades.
Chegámos numa tarde de julho de calor e, desde logo, fomos recebidos com o sorriso e a simpatia dos funcionários da receção que se disponibilizaram de imediato a ajudar no que era preciso. Antes disso, um outro empregado do hotel desceu a escadaria e ofereceu-se para estacionar o carro. É um serviço comum em estadias de 5 estrelas, bem sabemos, mas ao fim de uma longa viagem de Lisboa e do – sempre – acidentado e demorado IP3, sabe bem não ter de pensar em estacionamentos e afins.
Tivemos muita sorte, é caso para se dizer. Chegámos precisamente no último dia do Festival das Artes, que acontece todos os anos no Anfiteatro Colina de Camões, na Quinta das Lágrimas, e desde logo foram-nos oferecidos bilhetes para assistir a um concerto da Orquestra da Gulbenkian. Foi uma experiência idílica (à falta de outra palavra mais acessível).
Ver os músicos, no final de tarde, ao som do concerto de violoncelo de Antonin Dvorak e da sinfonia no. 5 de Ludwig van Beethoven foi mágico. O cenário parecia de um conto de fadas, perante o reflexo no lago e a luz que refletia nas árvores atrás do palco.
© Mariline Rodrigues | Lifestyle ao Minuto
Esta é, por isso, uma das melhores alturas para se ficar hospedado na Quinta das Lágrimas, junta-se o útil ao (muito) agradável.
A história do Hotel Quinta das Lágrimas
A Quinta das Lágrimas entrou para a família dos atuais proprietários em 1730. O palácio foi construído no século XVIII, no entanto, dessa construção apenas existe ainda a parte de trás (virada para os quartos do jardim) devido a um incêndio que aconteceu em 1879, obrigando a grandes obras de reconstrução.
A casa apresenta assim uma arquitetura do século XIX, sofrendo as variadas influências que o então proprietário, Miguel Osório Cabral de Castro, foi captando nas suas várias viagens pela Europa.
O amor eterno de D. Pedro e Inês de Castro
Esta é uma das mais conhecidas histórias de amor, mas vale sempre a pena recordar.
Já lá vão mais de 650 anos. Pedro era o herdeiro do trono ocupado pelo seu pai, o rei D. Afonso IV. Inês era uma dama galega, filha de Pedro Fernandez de Castro, um dos homens mais poderosos de Espanha e que, por sua vez, era neto de Sancho IV, rei de Castela, como também era D. Pedro, o que torna Inês e Pedro primos. Também D. Constança, mulher de D. Pedro e futura rainha de Portugal, era prima de Inês.
Inês de Castro tinha também uma ligação com a família Albuquerque. Afonso Sanchez, o bastardo de D. Diniz, que D. Afonso odiou de morte e por causa do qual o país mergulhou em guerra civil, casou com a dona do castelo de Albuquerque. Inês considerava esta dona como sua mãe, uma vez que foi ela quem a criou. Aqui forma-se a primeira fonte de ódio de Afonso IV contra Inês.
Em 1350 estalou em Castela uma revolta dos grandes senhores contra D. Pedro I. O chefe da revolta era precisamente João Afonso de Albuquerque, filho de Afonso Sanches e, portanto, uma espécie de irmão adotivo de Inês.
Este procurou influenciar Inês para que envolvesse D. Pedro, com quem já tinha um romance, nas guerras civis castelhanas. Em 1354, um irmão de Inês chega a ir a Portugal para propor que Pedro reclamasse para si a coroa de Castela. Este não aceitou a proposta por oposição do pai.
Foi para o impedir que Afonso IV ordenou a morte de Inês de Castro, numa altura em que Pedro estava ausente. Os executores foram Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pedro Coelho. Indignado, Pedro revoltou-se e durante os meses que antecederam a celebração da paz, as tropas assolaram o país.
Assim que subiu ao trono foi prioridade sua apanhar os assassinos de Inês, que tinham fugido para Castela. Um deles conseguiu escapar, mas dois foram apanhados.
Em 1360, D. Pedro anunciou que se tinha casado em segredo com Inês e, pela mesma ocasião, mandou construir os túmulos de Alcobaça, para onde transladou o corpo de Inês e onde viria também a ser enterrado.
Em Alcobaça, acredita-se que Inês tenha sido coroada depois de morta, tendo os nobres sido obrigados a beijar a sua mão.
Quinta das Lágrimas: O lugar secreto de D. Pedro e Inês de Castro
Era na Quinta das Lágrimas que Pedro e Inês se encontravam em segredo. Inês vivia perto, no Paço do Convento de Santa-Clara-a-Velha.
Da quinta sai um cano estreito “dos amores”, que termina perto do convento. Seriam as águas da Fonte dos Amores que serviriam de transporte para as cartas de amor dos dois. Diz a lenda que o príncipe as colocava em barquinhos de madeira que, seguindo a corrente, iriam até Inês.
Terá sido nas matas das Lágrimas que Inês foi assassinada pelos três validos de Afonso IV. Foram as lágrimas que Inês então chorou que fizeram nascer a Fonte das Lágrimas, onde o sangue do seu corpo está hoje gravado na rocha.
Hotel Quinta das Lágrimas: Como foi a nossa experiência
Fomos levados para um quarto no ‘rés do chão’, tendo passado por um corredor onde a história estava viva nas paredes. A estrela do percurso foi, sem dúvida, um pequeno berço à antiga, muito semelhante ao que se pode encontrar num dos quartos do Palácio de Queluz (fica a dica de visita).
O quarto tinha hall de entrada, casa de banho, zona de dormida e um pequeno jardim privativo – foi ótimo para colocar a leitura em dia.
No que diz respeito às amenities, eram da Real Saboaria (o aroma era fresco e agradável).
Como estava calor, aproveitámos para ficar um pouco na piscina. Deu para descansar e recarregar baterias, porque estávamos rodeados pelos sons da natureza.
Enquanto amantes de literatura, a nossa sala preferida foi, sem dúvida, a biblioteca. Na verdade, no hotel existem duas: a Biblioteca Maria Leonor Machado Sousa, mais moderna, dedicada a obras de investigação sobre a Quinta das Lágrimas e a sua história, e uma mais antiga que possui milhares de livros que contam a história de Portugal e da família.
© Mariline Rodrigues | Lifestyle ao Minuto
Todos os espaços do hotel são de uma beleza única e os locais perfeitos e instagramáveis para as almas mais vintage.
Hotel Quinta das Lágrimas: Quando os pratos se fundem com a história
Durante a nossa estadia tivemos a oportunidade de experimentar dois dos restaurantes do hotel: um ao almoço outro ao jantar. Comecemos pelo almoço, no Restaurante Pedro & Inês. Optámos pelo menu com o mesmo nome e não nos arrependemos.
Almoço | Restaurante Pedro & Inês
Entradas:
Couvert com seleção de pão Pedro e Inês, com paté de atum e húmus de grão.
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Tornedó de polvo com texturas de manga e coco: uma conjugação única de sabores, entre o doce e salgado.
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Pratos:
Bacalhau confitado, pil-pil de coentros, pak-choi e migas de grão: ficou-nos na memória a cremosidade do bacalhau.
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Arroz de pato, salada de funcho e frutos silvestres: o arroz estaladiço e guloso conquistou-nos, ainda mais ao ser conjugado com a frescura dos frutos silvestres.
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Sobremesa:
Leite creme, erva-príncipe e gelado laranja lima: o nosso preferido da refeição! Como resistir a uma sobremesa clássica com um toque cítrico?
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Jantar: Arcadas Restaurante | Chef Vitor Dias | Menu Fonte dos Amores
Entradas:
Pannacotta de ervilha, kefir e wasabi: das entradas mais belas que vimos na vida. Uma riqueza de detalhes que distingue o chef. E claro, era deliciosa.
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Puré de cebola com batata cabelo de anjo frita e ovo a baixa temperatura com salada de espargos: a cremosidade desta sobremesa e os inúmeros sabores deixou o nosso paladar em festa!
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Leitão: entremeada confitada, beterraba, batata agria e molho Szechuan: pessoalmente, não gostamos muito de leitão, mas este prato fez-nos mudar de ideias. A pele crocante com uma carne de sabor intenso não passou despercebida.
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Sobremesa:
Coração maracujá, líchia e jasmim: tentámos, mas a imagem não faz jus a esta sobremesa. O coração partia-se (uma bonita representação da história) e por dentro era recheado com uma espécie de pão de ló e creme. É caso para dizer que terminámos o jantar com um coração no topo do bolo.
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O Hotel Quinta das Lágrimas é o lugar ideal para uma escapadinha mais romântica ou para quem quer viver ao máximo a magia envolvente da história de Pedro e Inês. O espaço é de tal forma impactante, que Amália Rodrigues chegou a dizer: “Quem me dera ter nascido aqui”.
Foi numa noite de chuva que chegámos ao Convento do Espinheiro, um dos hotéis mais emblemáticos de Évora. A cerca de 10 minutos do centro da cidade, o antigo convento impressiona pela dimensão, história e serviço, num espaço onde o luxo contemporâneo se cruza com séculos de património.
Mariline Direito Rodrigues | 10:35 – 15/06/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
