
“No dia 11 de novembro celebra-se o Dia dos Solteiros. Com origem na China e por o número 1 representar uma pessoa sozinha, no dia 11/11, torna-se ainda mais importante refletir: porque é tão importante estar sozinho aquando do término de uma relação?
A verdade é que nascemos com um medo inato de ficar sozinho, o qual, não raras vezes, é alimentado pela sociedade (“já não és novo, ainda ficas solteiro”) e também pelas aplicações de encontros. Este sentimento pode dominar as nossas relações através da tendência para o ser humano retomar relacionamentos do passado (ainda que considerados negativos ou mesmo que tenha sido a própria pessoa a terminar), assim como para manter relacionamentos no qual assume já não se sentir feliz.
Mas qual a ferramenta mais eficaz para a libertação do medo da solidão?
Segundo a Psicologia, é, exatamente, o estar sozinho. A cura para a solidão não é, de todo, envolver-se repentinamente numa relação, mas sim estar sozinho e aprender a fazê-lo.
No livro “Virar a Página: como lidar com o fim de uma relação, conquistar o seu bem-estar e voltar a encontrar o amor” é reforçado que o estar sozinho permite alcançar dois objetivos: aprender a amar-se a si próprio e, por conseguinte, aprender a amar o outro.
E quando dizemos “sozinho” é na ausência de uma relação amorosa e não de todas as outras relações. Enquanto seres humanos, somos seres relacionais, e precisamos dos outros para sermos felizes, dada a necessidade de sermos amados por terceiros e de pertença a uma comunidade ou grupo para nos sentirmos valorizados e integrados. Mas também somos capazes de estar sozinhos, na nossa própria companhia, e sentirmo-nos conectados com o mundo e connosco próprios.
Duas das principais características que desenvolvemos ou construímos quando estamos sozinhos são o autocontrolo e a paciência. Facilita que exista reflexão acerca de questões como “Será que isto é realmente saudável para mim?” ou “Será bom para mim a longo prazo ou apenas agora?”. Ou seja, aprendemos a usar o autocontrolo e a parar para colocarmos este tipo de questões a nós mesmos e, em consequência disso, aprendemos a ter paciência para lhes responder.
O tempo em que a pessoa se permite estar sozinha é de reflexão e auto-conhecimento, diminuindo o risco de se tornar numa vítima de uma relação tóxica por ignorar pistas de que, à sua frente, não estava o amor da sua vida, mas uma pessoa pronta a aproveitar-se da sua vulnerabilidade.
De facto, o risco de ignorar red flags é superior quando quem está em luto não respeita o seu tempo e espaço, o qual é essencial para refletir sobre as relações e escolhas amorosas do passado.
Por red flags entende-se o conjunto de pistas que nos alertam para comportamentos negativos da parte do outro que invalidam a construção de uma relação romântica saudável e que nos incitam a distanciar dessa mesma pessoa, evitando o risco de carregar, novamente, um coração partido.
Reconhecer esses sinais ajuda a identificar o que se pretende e, por oposição, o que se recusa numa relação, bem como o que exige de si próprio, enquanto companheiro, e do outro para um potencial projeto de vida partilhada.
Respeite o seu tempo e espaço, mas não tenha medo de amar. Recorra a ajuda psicológica especializada. Libertar fantasmas do passado é um ato de coragem, mas também de amor próprio.”
Fonte: Notícias ao Minuto