
Deco é atualmente diretor desportivo do Barcelona, mas continua muito ligado a Portugal. O antigo internacional português chegou à seleção nacional aos 25 anos, depois de ter concluído o processo de naturalização em 2003. Ora, mais de duas décadas depois, Deco voltou a abordar o tema, em longa entrevista ao GloboEsporte, publicada na sexta-feira, e esclareceu que a chegada de Luiz Felipe Scolari à equipa das quinas não teve qualquer tipo de influência na sua decisão.
“Desde 2000 que a Federação Portuguesa de Futebol falava comigo e eu sentia-me muito bem, porque adoro Portugal. Com 18, 19 anos fui para Portugal. Mas foi um processo que foi amadurecendo, não foi uma decisão do dia para a noite As coisas foram acontecendo, foram evoluindo… A minha ligação ao país, à seleção e às pessoas acabou por se criar. Tomei a decisão em 2003. Não teve nada a ver com o Felipão. A decisão já estava tomada. Coincidiu com a chegada do Felipão à seleção, mas a decisão de estar disponível para a seleção foi tomada em 2003”, explicou Deco, antes de ser questionado se algum dia se arrependeu de tal decisão.
“Não, não passa [na cabeça] porque não existe esse tipo de… Quando eu tomei a decisão, primeiro eu estava seguro do que eu queria fazer. Pela relação que eu tenho com Portugal e com os jogadores da seleção, com a minha geração. Então, eu não fico a pensar, porque foi uma decisão que eu sentia que era o que eu tinha de fazer, porque sentia-me bem”, vincou.
Questionado sobre a final perdida no Euro2004, em que Portugal jogou em casa, Deco admite que esse foi o momento mais negativo na sua carreira, lembrando o clima de entusiasmo que se instalou no nosso país.
“A geração era muito boa. Figo, Rui Costa, eu, o Cristiano a aparecer, Ricardo Cavalho, Jorge Andrade, Maniche, Pauleta. O que gerou uma euforia positiva sobre a seleção. Jogávamos em casa e, ao mesmo tempo, foi uma desilusão grande para nós. Não dá para explicar. O futebol é como é. Sofremos um golo, depois controlamos o jogo, mas não conseguimos marcar. A Grécia já tinha demonstrado no Europeu que era uma equipa difícil de sofrer golos. Foi uma alegria praticamente a competição inteira e uma desilusão. Talvez, a maior que eu tive na carreira, porque queríamos ganhar. Mas é o futebol”, desabafou Deco.
Ainda sobre os tempos que viveu na seleção nacional, o antigo craque do FC Porto não deixou de elogiar a forma como Scolari conseguiu unir os jogadores e aproximar a seleção dos adeptos.
“O Felipão criou um ambiente muito favorável em Portugal. Eram jogadores do Benfica, outros do FC Porto, e a seleção tinha um ambiente um pouco tenso por conta dessa rivalidade. E o Felipão quebrou esse gelo. O grande mérito foi essa capacidade de unir e de agregar. Até hoje ele é adorado em Portugal”, destacou o antigo camisola 10 da seleção nacional.
Já sobre o crescimento de Cristiano Ronaldo, que foi acompanhando sempre que era chamado a representar Portugal, Deco apontou para a ambição do avançado luso.
“O Cristiano sempre foi assim. Igual ao que é hoje, na questão da ambição, do que ele aprende, de ser melhor. Isso nunca mudou. Sempre trabalhou para isso, sempre foi o que chegava mais cedo, o que trabalhava mais, o que ficava a bater livres depois de toda a gente sair. O que não queria parar de crescer e de evoluir. Acho que nunca vai parar com essa forma de ser. Não existe nenhum atleta com esta capacidade mental. Para mim, foi o tipo mais obcecado pela evolução. Essa característica fez dele um dos maiores jogadores da histórias”, rematou Deco.
Brad Friedel, antigo guarda-redes do EUA, acredita que Roberto Martínez tem uma difícil decisão nas mãos, alertando que Portugal não se pode dar ao luxo de ter menos um jogador a defender nos jogos mais exigentes do Mundial2026.
Francisco Amaral Santos | 10:06 – 11/04/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
