
Um estudo internacional revelou como minúsculos fetos, plantas que se reproduzem por esporos, acumularam na Oceânia a maior quantidade de ADN alguma vez descrita na Terra, até cinquenta vezes mais do que os humanos.
Uma equipa internacional liderada por investigadores do Instituto Botânico de Barcelona (IBB, CSIC-CMCNB) e do Jardim Botânico Real (RJB) de Madrid reconstruiu a história evolutiva de Tmesipteris, um género de fetos com os maiores genomas descritos até à data.
O estudo, publicado na revista Molecular Phylogenetics and Evolution, revelou que estes genomas gigantes não são o resultado de um único evento evolutivo, mas sim da combinação de vários processos acumulados ao longo de milhões de anos.
Para descobrir como é que estas samambaias chegaram a acumular quantidades recorde de ADN, a equipa analisou centenas de genes e reconstituiu a história evolutiva do grupo.
Os resultados revelam que os genomas gigantes de Tmesipteris são o produto de milhões de anos de acumulação de ADN através de diversos mecanismos evolutivos, e não de um único evento excepcional.
“O nosso estudo demonstra que os fatores que resultam no gigantismo genómico são múltiplos”, explicou Jaume Pellicer, cientista sénior do Instituto Botânico de Barcelona do CSIC e líder da investigação.
O investigador acrescentou que “estes mecanismos variam desde duplicações completas do genoma e a acumulação de genes saltadores, até ao cruzamento entre indivíduos de diferentes espécies ou à dispersão a longa distância entre ilhas”.
O estudo mostrou ainda que a geografia da Oceânia, região onde habita este género, foi fundamental para a evolução de Tmesipteris.
A história reconstruída sugere que a dispersão entre ilhas e a colonização de novos territórios favoreceram o aparecimento de novas espécies e combinações genéticas.
O estudo mostra ainda que a geografia da Oceânia, região onde vive este género de feto, foi fundamental para a evolução de Tmesipteris.
A história reconstruída sugere que a dispersão entre ilhas e a colonização de novos territórios favoreceram o aparecimento de novas espécies e combinações genéticas.
“As ilhas da região têm servido como cenários essenciais para a evolução do género Tmesipteris. A história do grupo parece ser marcada por episódios de dispersão entre ilhas e pela colonização de novas regiões, o que provavelmente favoreceu a sua diversificação”, explicou o investigador.
O estudo destaca ainda a importância das coleções científicas para o estudo de espécies de regiões remotas e de difícil acesso.
Para reconstruir a evolução destes fetos, a equipa combinou amostras preservadas em herbários históricos com ferramentas genómicas e computacionais de ponta.
“A combinação de dados de herbários centenários com novas ferramentas genómicas e computacionais é uma via crescente para o estudo da biodiversidade vegetal”, explicou Lisa Pokorny, investigadora Ramón y Cajal no RJB, que concluiu que, “no entanto, é importante enfatizar a necessidade de otimizar os protocolos existentes para o seu desempenho ideal em espécies com genomas excecionalmente grandes”.
DMC // RBF
Lusa/Fim
Fonte: Notícias ao Minuto
