
Kylian Mbappé concedeu, na noite desta quinta-feira, uma extensa entrevista ao podcast Bridge Show, onde abordou vários temas, entre os quais o episódio de racismo que sofreu em 2021 após falhar uma grande penalidade no Campeonato da Europa.
Num programa no qual apareceu ao lado do amigo Achraf Hakimi, do companheiro de equipa no Real Madrid e seleção Aurélien Tchouaméni e do cómico Malik Bentalha, Mbappé abriu o coração sobre a recordação que guarda do período após falhar a grande penalidade decisiva contra a Suíça no Euro 2021, que ditou a eliminação de França da prova.
“Quando falhei o meu penálti contra a Suíça, comecei a ser alvo de insultos racistas. Fui de férias e sentia-me como um morto-vivo, fiquei em estado de choque (…) Queria deixar a seleção francesa. Percebi que tinha colocado a França muito, muito no topo das minhas prioridades, mas assim que falhei, muita gente começou a chamar-me de macaco e a insultar-me. E perguntei-me: são estas as pessoas pelas quais luto em campo?”, começou por dizer Kylian Mbappé, que é o capitão da seleção francesa.
“Caí de muito alto, porque o meu primeiro torneio com a França foi o Mundial de 2018, ganhei-o, era uma espécie de herói nacional, era muito jovem, e disse a mim mesmo que a França estava muito bem. E no torneio seguinte, isso é-te atirado à cara. É duro. Pedi uma reunião com o Noël Le Graët [presidente da Federação Francesa de Futebol] e disse-lhe que não ia jogar mais pela seleção”, vincou, antes de acrescentar.
“Pensei. ‘Estou a jogar para pessoas que me consideram um macaco se não marcar golos? Não posso jogar para pessoas assim…’. Ele não aceitou. O que me disse? ‘Pensas que vais sair do meu escritório e eu vou dizer que sim? Esquece isso'”, frisou, entre risos.
Numa conversa muito descontraída, Mbappé desabafou sobre o facto de estar mais à vontade nesta entrevista do que nas conferências de imprensa.
“Estou cansado de entrevistas. O jornalista está lá para te fazer dizer o que não queres dizer, e tu não queres dizer o que ele quer que digas. É como um combate de boxe”, explicou o avançado do Real Madrid, que chutou para canto as críticas ao facto de ser um jogador pouco defensivo.
“Sou um jogador que defende um pouco menos que os outros, e às vezes isso pode ser um problema. É verdade que faço menos, mas noto que, quando o faço, impacto mesmo na equipa. No Real Madrid, quando defendo, nota-se que todos os outros também o fazem. Criticam-me por isso, e não me incomoda, porque é uma crítica construtiva”, atirou, antes de revelar uma história curiosa a envolver o dia em que tirou a carta de condução.
“Queria tirar em Paris, mas era demasiado complicado. Em Madrid encontramos a fórmula para o fazer de forma anónima, numa espécie de sessão privada. Um dia falhei ao estacionar enquanto me filmavam com a Mini Cooper. Quando te filmam, ficas um pouco nervoso”, finalizou.
Kylian Mbappé festejou efusivamente a vitória alcançada por França, no jogo amigável com a Colômbia, por 1-3, a sorrir, a dançar… e até mesmo a encestar, como comprovam as imagens.
Notícias ao Minuto | 13:15 – 30/03/2026
Fonte: Notícias ao Minuto