Cérebro saudável? “Uma das coisas importantes é a interação social”

“Acredito muito no poder do cérebro e acho que, mesmo em tempos difíceis, o nosso cérebro é mais forte”, afirma Moran Cerf, conhecido pelo seu trabalho no cruzamento entre o cérebro humano, a tecnologia e a tomada de decisão. Em entrevista à Lusa por vídeo-conferência a partir de Nova Iorque, questionado sobre o segredo para […]

Cérebro saudável? “Uma das coisas importantes é a interação social”
Cérebro saudável? “Uma das coisas importantes é a interação social”

“Acredito muito no poder do cérebro e acho que, mesmo em tempos difíceis, o nosso cérebro é mais forte”, afirma Moran Cerf, conhecido pelo seu trabalho no cruzamento entre o cérebro humano, a tecnologia e a tomada de decisão.

Em entrevista à Lusa por vídeo-conferência a partir de Nova Iorque, questionado sobre o segredo para um cérebro saudável, o diretor do Lab for Advanced Technology and Human Performance na Columbia University salienta que “uma das coisas importantes é a interação social”.

Nesse sentido, aconselha a passar “mais tempo perto de pessoas do que sozinho” e a “aprender coisas novas”, porque o cérebro sai-se “muito bem” com informação nova.

Já “a pior coisa é ficar parado sem aprender”, adverte o norte-americano que tem estudado pacientes submetidos a cirurgias cerebrais com implantes neurais, explorando questões fundamentais sobre consciência, sonhos e processos de decisão.

Em suma, “interação social e aprendizagem são essenciais” para um cérebro saudável, reforça.

Quanto à felicidade, o neurocientista aconselha exercício físico, porque o “cérebro liberta muitas endorfinas e isso faz com que se sinta feliz” e “agir em prol dos outros” também ajuda a sentir-se feliz.

De um modo geral, “sabemos que estar perto de pessoas, interagir, é bom para o cérebro. Portanto, a interação social, conversar, estar em ambientes com outras pessoas é melhor e, ao contrário disso, a solidão é uma das piores coisas para o cérebro”, enfatiza o neurocientista.

Ser “espiritual ou religioso também é muito útil para o cérebro”, tal como dormir, independentemente da quantidade de horas.

Agora, “posso afirmar que ficar em casa a navegar no TikTok não é tão bom para a felicidade quanto sair e sentar tranquilamente num restaurante, apenas a observar as pessoas”, sustenta.

O cérebro humano aprende com a observação, ao contrário de animais como os cães, que só aprendem experimentando, explica.

Aprender em grupo é mais rápido. O lado menos bom é que os grupos “nos influenciam muito”, aponta”, pelo que junto de uma pessoa negativa o outro assume também uma visão negativa.

Isto porque “os nossos cérebros, na verdade, sincronizam-se rapidamente. E, de certa forma, funciona assim: cada ação, cada palavra que alguém diz entra no nosso cérebro”.

Não se trata apenas de uma ação: “Se ela chega ao nosso cérebro, modifica-o. O que quero dizer com sincronia cerebral é que os nossos cérebros tendem a alinhar-se com qualquer experiência que nos cerca”, sublinha.

Moran Cerf considera que a atenção dada ao cérebro “é menor” do que se pensa.

“Acredito que nosso cérebro evoluiu num mundo onde guerras, violência, mudanças rápidas e ameaças são abundantes e aprendeu a sobreviver a isso”, diz, quando questionado sobre o impacto de um mundo cada vez mais bélico que entra pelos ecrãs de televisão, telemóvel e outros.

“Isso deixa marcas, as experiências más não desaparecem simplesmente”, pelo contrário “permanecem connosco”, prossegue.

“Acho que nosso cérebro é incrível em lidar com coisas negativas, encontrar maneiras de se recuperar e seguir em frente”, porque “tudo muda o nosso cérebro”, diz.

As guerras mudam o cérebro “e não me parece óbvio que elas apenas nos deixem com sentimentos negativos. Deixam-nos com lições. E as lições são uma forma de nos tornarmos pessoas melhores no futuro”, conclui.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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