
Depois do verão de 2025, começou-se a falar do Candida auris, também conhecido como Candidozyma auris. É um fungo que se espalha essencialmente em contexto hospital e que tanto pode provocar sintomas leves como acabar por ser mortal em casos de pessoas mais vulneráveis. Também já chegou a Portugal e começa agora a ser estudado onde são deixados alguns alertas.
Uma equipa de investigadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estudou os primeiros casos confirmados em Portugal. Se no final de setembro falavam-se em quatro casos, segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doença, este novo estudo revela que foram estudados oito casos em Portugal.
O estudo da Candida auris em Portugal
Este estudo, hoje apresentado, já tinha sido publicado na revista científica Journal of Fungi em outubro de 2025. Sofia Costa de Oliveira, docente da FMUP, deixou alguns avisos sobre este fungo perigoso.
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“É importante perceber que este fungo é de propagação hospitalar e não comunitária (…), a sua relevância em saúde pública está associada principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica uma vigilância reforçada”, revelou a especialista.
O que é e quais os perigos do Candida auris
De acordo com a rede de saúde CUF, o “Candida auris é um fungo identificado em 2009 no Japão e, desde então, têm surgido infeções noutros países.” Revelam ainda que “pelas dificuldades de diagnóstico e de tratamento, este fungo da família Candida, presente sobretudo em doentes internados em hospitais ou residentes em lares, pode constituir um sério risco para a saúde”.
Se por um lado pode criar apenas reações leves, por outro poderá ser grave e potencialmente mortal. “A infeção por Candida auris pode mesmo ser fatal: com base em informação relativa a um número limitado de pacientes, entre 30 a 60% dos doentes que contraíram esta infeção morreram”, continua a CUF.
Explicam que na maior parte das mortes associadas a este fungo, dos doentes já contavam com outros problemas de saúde. É algo também concluído por este recente estudo onde se lê que “nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a comorbilidades severas dos doentes”.
Candida auris: O diagnóstico e os fatores de risco
Por norma, o diagnóstico é feito através de uma colheita de sangue ou de outros fluidos corporais. “No entanto, esta estirpe é difícil de identificar através dos métodos que são geralmente utilizados em laboratório para as infeções mais comuns causadas por esta família de fungos.” Um dos perigos está associado ao facto de este fungo espalhar-se rapidamente.
Segundo a rede CUF, a infeção não afeta habitualmente pessoas saudáveis e ocorre sobretudo em doentes internados, que tiveram uma cirurgia recente ou com sistema imunitário em baixo.
Como evitar a propagação deste fungo
O contágio é feito através de superfícies infectadas ou de pessoas para pessoas. “Para evitar a propagação desta infeção, é importante fazer uma correta higiene das mãos, lavando-as com água e sabonete ou com um desinfetante à base álcool.”
Revelam que se existir alguma suspeita de infeção por este vírus deve falar com o seu médico.
O fungo Candidozyma auris tem vindo a espalhar-se pela Europa e já foi registado em mais de 40 países em todo o mundo. No Reino Unido, os casos aumentaram nos últimos meses. Os hospitais são um dos locais onde mais se propagam.
Adriano Guerreiro | 08:28 – 25/09/2025
Fonte: Notícias ao Minuto
