
Carlos Cordeiro apresentou, ao final da manhã desta sexta-feira, a demissão do cargo de conselheiro sénior de Gianni Infantino, na sequência do tão badalado plano da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objetivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo, entre elas, o Campeonato do Mundo.
“Enquanto conselheiro sénior do presidente da FIFA, um antigo banqueiro e um adepto vitalício do futebol, não posso manter-me impávido enquanto a FIFA considera vender uma parte do Mundial. Deixem-me ser claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta, e oponho-me inequivocamente à mesma. É um mau negócio para as federações-membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo-prazo da modalidade”, alertou, em comunicado.
O antigo presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos da América (USSF) não hesitou, de resto, em apelar ao ‘chumbo’ desta iniciativa: “O futebol tem sido central na minha vida, e, depois de mais de 35 anos na banca, percebi, tanto o valor deste ativo, como as consequências de abrir mão de parte dele. É por isso que esta proposta deve ser rejeitada”.
“A FIFA já tem acesso a recursos financeiros extraordinários. A organização detém milhares de milhões em reservas, e nenhuma dívida. O próprio presidente da FIFA enalteceu os 15 mil milhões de dólares em receitas gerados entre 2022 e 2026. Se as federações-membro acreditam que é necessário um investimento adicional para desenvolver a modalidade, a FIFA já tem a capacidade financeira para dar esse apoio a partir dos seus recursos existentes”, pode ler-se.
“Contra esse cenário, vender uma parte permanente do maior ativo do futebol para angariar 4,2 mil milhões de dólares faz pouco sentido. Seria hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificação convincente. Tamanho sucesso económico não foi acidental. Surgiu de profissionais de futebol experientes, que estilhaçaram os recordes comerciais da FIFA. No entanto, apesar desses feitos, é pedido, agora, à FIFA que acredite que investidores de fora são necessários para desbloquear mais-valias”, prossegue.
[Notícia em atualização]
Fonte: Notícias ao Minuto
