
Será que precisa mesmo de determinadas mudanças de visual? Segundo alertam alguns psicólogos, a crescente obsessão por padrões de beleza, pode esconder distúrbios psicológicos graves.
Em causa não estão os cortes nas peças de roupa, mas sim nas dietas.
Uma informação avançada por psicólogos ao Huff Post, revela que há cada vez mais critérios para homogeneizar corpos e estilos de vida.
Se por um lado há quem veja a utilidade destas plataformas, associada ao momento em que passamos a “vestir dopamina”, por outro, estes profissionais de saúde constatam que isso pode levar ao desencadeamento de padrões compulsivos.
Magreza excessiva, dietas restritivas e estilos de vida pouco realistas são algumas das novas normas apresentadas pelas influencers fitness nas redes sociais e que está a causar preocupação entre psicólogos.
“Essas tendências abrem a porta para competição e obsessão porque haverá sempre mais algum ajuste ou algo a otimizar”, expõe Golee Abrishami, psicóloga especializada em alimentação e questões de imagem corporal.
“Nenhuma dessas tendências de forma isolada pode propriamente causar um transtorno, mas criar sim mais abertura para que as inseguranças do dia a dia se transformem em algo maior”, explica.
Leia Também: Ester Expósito não foge à tragédia! Psicologia justifica padrão de Mbappé
Kaitlin Slaven, psiquiatra do Eating Recovery Center, à mesma fonte apresenta as conclusões de estudos que sugerem que “quanto mais nos comparamos, pior ficará sempre a nossa imagem corporal”.
“Infelizmente, o que essas tendências estão a fazer é basicamente sequestrar as nossas inseguranças humanas normais e usá-las como uma arma”, explica Dani Castro, terapeuta da Equip Health, especializada em transtornos alimentares, imagem corporal, ansiedade e depressão. “O problema é que essas tendências sugerem que os corpos das pessoas são projetos a serem otimizados ou encolhidos.”
Não obstante, estes especialistas identificam este tipo de conteúdo como “literalmente inalcançáveis”, o que, a longo prazo, pode levar qualquer um a “atingir o fracasso enquanto luta por algo que não existe”, acrescenta.
Golee Abrishami reforça ainda que o papel de alguns influencers pode, erradamente, estar a “normalizar coisas que antes não eram normais”, como gastar milhares de euros em procedimentos estéticos.
No entanto, mesmo quando as alterações corporais decorrem de um processo natural ou com recurso a medicamentos, Golee Abrishami deixa claro que isso está associado a uma dismorfia corporal, ou seja, um transtorno psicológico que reflete uma perceção distorcida do próprio corpo e leva à adoção de exigências desproporcionadas, com o objetivo de atingir determinadas aparências físicas.
Quando é que as questões da beleza começam a tornar-se uma preocupação?
De acordo com estes especialistas, quando as tendências começam a ser uma obsessão ou a fazer parte de todos os pensamentos diários, há uma crescente angústia.
“Se se focar em como se vê começa a tirar tempo e energia de outras áreas da sua vida, como as relações, trabalho, escola ou simplesmente estar presente, isso é algo a que vale a pena prestar atenção”, aponta.
A par disso, “se as mudanças de humor dependerem de como se encontra dia após dia, ou se treinou ou até mesmo acerca daquilo que vê na balança”, esses tópicos são sinais de que “a sua relação com a aparência se tornou numa angústia e não apenas autocuidado”, alertam.
Esclarecem ainda que nestes casos, se não procurar acompanhamento psicológico, a situação pode converter-se num problema incontornável.
Eis como pode começar a usar as redes sociais de forma mais saudável
Consumir conteúdos online sobre moda, nem sempre tem de ser visto como algo prejudicial para a sua saúde mental, há exceções. Saiba como tirar proveito deste tipo de conteúdo, tendo em consideração que deve filtrar e excluir padrões que se revelem irrealistas.
- Inspirar-se em looks para ocasiões especiais ou até mesmo para entrevistas de emprego;
- Aprender dicas sobre organização de vestuário;
- Descobrir as novas cores, padrões e cortes das novas coleções;
Gosta de documentar viagens, festas e até os momentos mais banais do dia a dia? Essa prática comum, além de o deixar com pouca memória no telemóvel, saiba que também pode afetar a sua memória cerebral – o alerta foi dado por psicólogos e neurologistas.
Inês Morais Monteiro | 18:03 – 28/08/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
