Bebé morreu engasgada com amendoim. “Até aos 3 anos, o risco é elevado”

No passado sábado, dia 25 de abril, uma criança de quase dois anos – 21 meses – morreu engasgada com um pedaço de amendoim no Centro Comercial Ubbo, na Amadora. Segundo o Jornal de Notícias, duas enfermeiras que se encontravam na zona da restauração, ainda tentaram socorrer a menina, mas sem sucesso. Entretanto, os bombeiros […]

Bebé morreu engasgada com amendoim. “Até aos 3 anos, o risco é elevado”
Bebé morreu engasgada com amendoim. “Até aos 3 anos, o risco é elevado”


No passado sábado, dia 25 de abril, uma criança de quase dois anos – 21 meses – morreu engasgada com um pedaço de amendoim no Centro Comercial Ubbo, na Amadora. Segundo o Jornal de Notícias, duas enfermeiras que se encontravam na zona da restauração, ainda tentaram socorrer a menina, mas sem sucesso. Entretanto, os bombeiros que foram chamados ao local conseguiram que a bebé expelisse o amendoim, mas como esta permaneceu inconsciente durante demasiado tempo, mesmo com as manobras de reanimação acabou por morrer no Hospital de Santa Maria.

A propósito deste caso, o Lifestyle ao Minuto esteve à conversa com o pediatra Hugo Rodrigues, que alertou para os cuidados a ter na alimentação das crianças, sobretudo no primeiro ano de vida. 

Prevenir o engasgamento nas crianças: alimentos a evitar

Hugo Rodrigues destacou que os cuidados a ter com os alimentos que se dão às crianças varia consoante a idade das mesmas. “Quanto mais pequenos, maior o risco de engasgamento, pelo que até aos 3 anos deverá haver uma habituação progressiva”. 

O pediatra notou que se deverão ter cuidados gerais “com todos os alimentos que sejam mais arredondados e escorregadios, realçando os seguintes: 

  • Frutos secos;
  • Uvas;
  • Cerejas;
  • Azeitonas;
  • Mirtilos;
  • Rebuçados;
  • Gomas.

“Em termos de tamanho temos como referência uma moeda de 2 euros. Se for mais pequeno, tem algum risco de asfixia e engasgamento”, sublinha o médico, referindo que esta regra aplica-se não apenas a alimentos, mas também a objetos estranhos. 

“Há crianças que se forem habituadas desde pequeninas a comer os sólidos, a partir de um ano de idade é possível fazer esta integração progressiva, mas é difícil ser taxativo. Para o ser, diria que até ao primeiro ano não [devem comer estes alimentos], e entre um e três anos, [deve haver] uma habituação mais progressiva”, realça. 

O médico pediatra sublinha ainda que os pais de crianças que comam mais depressa também deverão estar especialmente atentos à hora das refeições. “Numa fase inicial, quando são as crianças a levar à boca e a explorar, convém que sejam alimentos relativamente grandes para poderem manusear. Se for com os talheres ou se forem os pais a manusear, então, [devem ser] alimentos mais pequeninos. Quando é a criança a levar à boca, geralmente tem menos risco de engasgamento”, diz ainda. 

Pediatra Hugo Rodrigues © Hugo Rodrigues  

E quando uma criança se engasga?

O que se deve fazer:

“O primeiro ponto a que se deve dar atenção é se a criança tosse ou não tosse. Se a criança tossir é deixá-la estar. Ela vai adotar a posição de conforto e sem estar a mexer nela incentivá-la a tossir, porque a tosse é a forma mais eficaz de eliminar qualquer obstrução da via aérea”, aconselha o pediatra. 

Quando a tosse se revela ineficaz, Hugo Rodrigues afirma que o próximo passo irá depender do estado da criança, isto é, se está consciente ou inconsciente.

Uma criança que se engasgou, não tosse e está inconsciente, não é para estar a ajudar a retirar o que quer que seja, é para fazer logo manobras de suporte básico de vida“, indica. 

Se a criança não tosse ou tiver uma tosse ineficaz, mas está consciente, devemos ajudar a tentar expelir o corpo estranho. Geralmente, independentemente da idade, começa-se com cinco pancadas nas costas entre as omoplatas, são pancadas mais secas e vigorosas que aumentam a pressão do peito de maneira a deslocar o objeto, para que a criança consiga deitá-lo fora. Faz-se até cinco pancadas. Se não for suficiente vamos fazer uma manobra diferente consoante a idade”, explica. 

Até um ano de idade faz-se cinco compressões no peito. Viramos [a criança] ao contrário e em vez de ser nas costas é no peito. As recomendações americanas falam em pancadas, semelhantes às das costas, as recomendações europeias falam em compressões no peito, no externo”. 

“Se não se conseguir com as cinco compressões no peito vira-se ao contrário e dá-se outras cinco pancadas nas costas. Depois, vai-se alternando uma e outra, até a criança deitar fora o corpo estranho ou até ficar inconsciente e aí tem de se fazer suporte básico”, informa o pediatra, notando que se deverá sempre colocar o bebé virado para frente e para baixo, para que a gravidade ajude a deslocar o corpo estranho. 

Se for uma criança com mais de um ano de idade começamos à mesma com as cinco pancadas nas costas e, em vez de fazer as compressões no peito, fazemos sub compressões na barriga, a chamada manobra de Heimlich”.

  • Como fazer a Manobra de Heimlich?

Na manobra de Heimlich, que se faz “entre o umbigo e o externo, coloca-se uma mão fechada e com a outra mão faz-se pressão para dentro e para cima, também de forma seca e vigorosa, para ajudar a deslocar o corpo estranho”.

O pediatra aconselha a “alternar-se entre as cinco pancadas nas costas com as cinco compressões na barriga, até a criança cuspir o corpo estranho ou ficar inconsciente”. Durante esta manobra, a criança deverá estar numa posição estável, com o corpo virado para a frente e para baixo. 

O que não se deve fazer:

Hugo Rodrigues destacou algumas das práticas a evitar quando uma criança se engasga:  

  • “Aumentar a ansiedade da criança ao ir logo intervir, porque pode assustar-se”;
  • “Fazer manobras de desobstrução da via aérea se a criança estiver inconsciente. Nestes casos o adequado é o suporte básico de vida”; 
  • “Fazer compressões na barriga de bebés pequeninos, porque o fígado e o baço não estão protegidos pelas costelas”; 
  • “Meter os dedos às cegas na boca da criança para tentar tirar alguma coisa, porque pode empurrar ainda mais o objeto para trás e levar a uma obstrução total da via área”. 

São dois dos medicamentos mais usados e podem ainda existir algumas dúvidas quando à sua toma. Uma das questões está também relacionada com crianças. Será que sabe a quantidade que deve ser dada? Um pediatra explica.

Adriano Guerreiro | 08:46 – 14/04/2026





Fonte: Notícias ao Minuto

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