
Se está a pensar comer carne de porco, evite que esta esteja totalmente mal passada! Recentemente, uma investigação portuguesa relacionou o ponto (mal passado) da carne com a contração de Hepatite E.
A informação avançada pela Revista Jaraysedal.es esclarece que a infecção viral foi detetada em javalis selvagens já mortos, entre a fronteira de Portugal com Espanha. E a investigação portuguesa vem confirmar que as complicações podem implicar tanto a vida selvagem quanto a humana.
Investigação portuguesa
“Javalis como reservatório do vírus zoonótico da hepatite E em Portugal com evidência genómica completa do genótipo 3m” é o nome do estudo levado a cabo por investigadores portugueses.
Como é que se transmite a Hepatite E?
O vírus da Hepatite E (HEV), segundo estes investigadores, “é um patógeno zoonótico de preocupação global que circula tanto em populações suínas domésticas quanto selvagens”, podendo, por isso, ser “transmitido aos humanos através do consumo de carne de porco mal cozida ou por contato direto com animais infectados”
Como identificar Hepatite E
A inflamação do fígado causada pela infecção do vírus E (HEV) nem sempre é clara. No entanto, os sintomas da hepatite E podem ser “similares aos de outras formas de hepatite”, segundo descreve a American Liver Foundation.
Eis alguns sintomas que não deve ignorar:
Febre;
Dores musculares;
Cansaço;
Enjoos;
Diarreias.
Não obstante, note que, à semelhança de outras patologias, aqui também existem muitos assintomáticos. “Embora infecções humanas com HEV-3 sejam frequentemente assintomáticas, ainda podem causar hepatite aguda e, em indivíduos imunocomprometidos, podem evoluir para uma infeção crónica”, adiantam os investigadores, esclarecendo que os sintomas podem incluir insuficiência hepática aguda, que pode levar à cirrose.
“A infecção assintomática em suínos permite que o vírus circule despercebido, mostrando a importância da vigilância para acompanhar a epidemiologia”.
Leia Também: Tem um cruzeiro marcado? Epidemiologista deixa aviso
O Grupo Lusíadas Saúde distingue esta Hepatite das restantes, devido a estes fatores:
Transmissão: “À semelhança da Hepatite A, esta transmite-se pelo consumo de água ou alimentos contaminados”;
Prognóstico e evolução: “É aguda e geralmente não evolui para doença crónica. As grávidas apresentam maior risco de desenvolver doença grave. É mais comum em países em desenvolvimento, com climas quentes e condições de higiene e saneamento básico precárias”;
Tratamento: “Não havendo um tratamento específico, passa essencialmente pelo repouso, hidratação e uma dieta rica em proteínas e baixa em gorduras. Em casos graves, pode ser necessário tratamento com comprimidos (ribavirina)”.
Os tipos de carne mais afetados
Estes especialistas alertam, para já, para o consumo de carne de porco, em especial, de javali, sendo esta a principal preocupação para a saúde pública, segundo o que descrevem.
Numa amostra de 120 javalis caçados entre outubro de 2023 e fevereiro de 2025 em diferentes áreas de Portugal, somente quatro animais testaram positivo, todos estes localizados em municípios do distrito de Évora, mais concretamente em Reguengos de Monsaraz e Mourão.
Regiões mais afetadas com o vírus HEV
Apesar desta estirpe ter sido encontrada em Portugal, os investigadores indicam que esta variante já tinha sido detetada entre Espanha e França.
“De acordo com a análise filogeográfica realizada pelos pesquisadores, o subtipo identificado teria chegado a Portugal vindo de território espanhol há décadas, provavelmente favorecido pelo movimento natural dos javalis”, descreve a revista espanhola.
“A maior prevalência de hepatite E em javalis da Península Ibérica foi registada precisamente no sudoeste espanhol, próximo a Portugal”. Ainda assim, salientam que em algumas regiões da Andaluzia foram detetadas “percentagens muito superiores do que as observadas noutros países europeus”.
A par disso, a mesma fonte espanhola garante que a fronteira hispano-portuguesa já se encontra sob vigilância. Ainda assim, para se certificar de que não entra em contacto com este vírus, estes especialistas sugerem que evite carne crua ou mal passada.
O aumento do número de casos de hantavírus tem feito soar algum alarme social e deixado a dúvida: será que estamos perante uma possível nova pandemia? O Lifestyle ao Minuto falou com Raquel Vareda, médica de saúde pública, e Hélder Pinheiro, médico infeciologista, para perceber melhor a situação.
Adriano Guerreiro com Inês Morais Monteiro | 10:52 – 07/05/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
