Ataque em Berlim. “Ninguém devia ter medo de dar a mão à pessoa que ama”

O ator Tomás Taborda recorreu às redes sociais para manifestar a sua tristeza e choque com o brutal ataque que decorreu em Berlim, na Alemanha, no passado sábado, durante uma marcha LGBTQ+ e que resultou num morto e em pelo menos 29 feridos.  Recorde-se que uma carrinha branca embateu contra pessoas reunidas no parque Tiergarten, […]

Ataque em Berlim. “Ninguém devia ter medo de dar a mão à pessoa que ama”
Ataque em Berlim. “Ninguém devia ter medo de dar a mão à pessoa que ama”


O ator Tomás Taborda recorreu às redes sociais para manifestar a sua tristeza e choque com o brutal ataque que decorreu em Berlim, na Alemanha, no passado sábado, durante uma marcha LGBTQ+ e que resultou num morto e em pelo menos 29 feridos. 

Recorde-se que uma carrinha branca embateu contra pessoas reunidas no parque Tiergarten, junto ao percurso do desfile, e o autor acabou por ser abatido pela polícia no dia seguinte. 

“Hoje acordei de coração partido. Uma pessoa perdeu a vida e várias outras ficaram feridas no ataque ao Pride de Berlim. Antes de qualquer reflexão, é nelas, nas suas famílias e em toda a comunidade que penso hoje.

Mas, depois de ver a notícia, cometi o erro de abrir os comentários nas redes sociais. Li pessoas a celebrar a violência. Li pessoas a ridicularizar as vítimas. Li comentários que desumanizam pessoas LGBTQIA+ como se os nossos direitos e as nossas vidas fossem discutíveis”, começou por dizer.

“Pouco a pouco, o ódio deixa de se esconder. Materializa-se. Torna-se mais comum, mais aceitável, mais assumido. E isso assusta-me quase tanto como a própria violência. Nos últimos tempos tenho sentido cada vez mais medo de gestos que deviam ser simples. Como dar a mão à pessoa que amo. Dou por mim a pensar onde estou, quem está à minha volta, se alguém vai insultar-nos ou se aquele olhar pode transformar-se em algo mais. É triste sentir que o medo consegue ocupar um espaço que devia pertencer apenas ao amor. E talvez seja isso que mais me custa no que aconteceu em Berlim.

O Pride sempre foi muito mais do que uma celebração. É um espaço onde tantas pessoas sentem, finalmente, que podem baixar a guarda. Um lugar onde podem existir sem pedir licença, sem esconder quem são e sem viver em estado de alerta. Pensar que até esse espaço pode deixar de ser seguro é profundamente doloroso. É precisamente por isso que o Pride continua a ser indispensável”, acrescentou.

“Não porque o amor precise de justificação. Não porque a nossa existência precise de validação. Mas porque ainda há quem ache que algumas vidas valem menos do que outras. Porque o discurso de ódio não fica apenas na internet. Quando é normalizado, cria o terreno onde a violência cresce. Enquanto houver quem tenha medo de existir, o Pride continuará a ser resistência. Porque ninguém deveria sentir medo de dar a mão à pessoa que ama. E ninguém deveria perder a vida por celebrar quem é”, referiu também Tomás Taborda.


Centenas de milhares de pessoas tinham-se deslocado à capital alemã para celebrar a parada do orgulho de Berlim, conhecida na Alemanha como Christopher Street Day. Esta é uma das maiores celebrações LGBTQ+ da Europa. A Polícia de Berlim tinha mobilizado mais de 2.000 agentes para garantir a segurança do evento.

José Condessa fez questão de apoiar o amigo. “Gosto e admiro-te! A ti e à tua roupa”, revelou o ator.

Notícias ao Minuto | 12:44 – 10/12/2024





Fonte: Notícias ao Minuto

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