
François Letexier concedeu, esta quinta-feira, uma extensa entrevista à rádio francesa RMC Sport, na qual quebrou o silêncio a propósito do tão badalado encontro da primeira mão dos playoffs da Liga dos Campeões, que culminou numa vitória do Real Madrid sobre o Benfica, no Estádio da Luz, por 0-1, e que ficou marcado pelas acusações de racismo dirigidas por Vinícius Júnior a Gianluca Prestianni.
O incidente em causa teve lugar à passagem dos 50 minutos, quando, depois de ter marcado o (grande) golo que colocou os merengues na frente, o internacional brasileiro acusou o argentino de lhe ter chamado “mono” (“macaco”, em português), o que levou o árbitro gaulês a ativar o protocolo previsto pela UEFA para situações de discriminação, interrompendo a partida durante cerca de dez minutos.
Quase três meses depois, o juiz de 37 anos de idade confessou: “Trata-se de um momento muito particular. É um momento no qual não temos acesso a todas as informações. Temos de tomar decisões sem estar na posse de todos os elementos. Neste género de casos, o mais importante é recolher o máximo de informação possível, e, acima de tudo, tomar precauções. Essa foi a minha prioridade”.
“Quando um jogador vem ter comigo e me diz que foi vítima de insultos racistas que eu não testemunhei, tenho de ter em conta aquilo que ele me diz, mas não posso tomar uma decisão unicamente com base nisso, o que me parece legítimo”, prosseguiu, a propósito de um caso cuja análise foi dificultado pelo facto de o jogador dos encarnados se ter dirigido ao adversário com a camisola a tapar a boca.
“É preciso oficializar a situação, deixar tudo visível aos olhos de todos e explicar aos diferentes intervenientes que o facto de não ter visto nem ouvido o incidente me impede de tomar uma decisão disciplinar. Foi assim que procurei gerir o incidente”, completou, a propósito de não ter adotado qualquer tipo de medida disciplinar.
Ainda assim, François Letexier sublinhou: “Tenho a impressão de que os responsáveis da UEFA ficaram satisfeitos com a forma como eu geri o incidente. Também tenho a sensação de que o mundo do futebol encarou a situação de forma bastante positiva. Em última instância, o árbitro é um elemento terciário neste tipo de contexto. Penso que fui o mais claro possível. No entanto, se eu tivesse podido evitar este tipo de incidentes ou comportamentos, aceitaria de bom grado”.
Gianluca Prestianni tem o arranque do Mundial em risco
A intervenção pública por parte de François Letexier surge, de resto, um dia depois de o Comité Disciplinar da FIFA ter tomado a decisão de prolongar, ao nível global, a suspensão inicialmente imposta pela UEFA a Gianluca Prestianni, de seis jogos (três dos quais de forma suspensa, e um dos efetivos já cumprido), por atitudes homofóbicas, e não racistas.
Significa isto que, caso o jogador do Benfica venha a ser convocado por Lionel Scaloni para o Campeonato do Mundo, será uma ‘carta fora do baralho’ para os dois primeiros jogos da fase de grupos, nos quais a Argentina terá pela frente a Argélia (a 17 de junho, no Arrowhead Stadium, em Kansas City) e Áustria (a 22 de junho, no AT&T Stadium, em Arlington).
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Fonte: Notícias ao Minuto