App permite monitorizar dispersão do fumo dos incêndios e qualidade do ar

As últimas semanas têm sido palco de fortes incêndios no sul da Europa, com Portugal, Espanha e França a serem os principais afetados. Dado que estamos no começo de agosto, o problema poderá agravar-se nos próximos tempos e, além da área ardida, cria-se também o problema das emissões resultantes destes fogos. É neste contexto que […]

App permite monitorizar dispersão do fumo dos incêndios e qualidade do ar
App permite monitorizar dispersão do fumo dos incêndios e qualidade do ar


As últimas semanas têm sido palco de fortes incêndios no sul da Europa, com Portugal, Espanha e França a serem os principais afetados. Dado que estamos no começo de agosto, o problema poderá agravar-se nos próximos tempos e, além da área ardida, cria-se também o problema das emissões resultantes destes fogos.

É neste contexto que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) apresenta a Fire Emissions Watch, uma nova app lançada pelo Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS) que “permite monitorizar, em tempo quase real, as emissões de biomassa queimada e o transporte de fumo em todo o planeta”.

De acordo com a publicação feita pelo IPMA na respetiva página no Facebook, esta app interativa Fire Emissions Watch permite “acompanhar a dispersão do fumo e o seu impacto na qualidade do ar” e também “comparar a atividade dos incêndios entre diferentes países e regiões”.

Um jovem de 18 anos foi detido pela GNR, na sexta-feira, por incêndio rural no concelho de Celorico da Beira, que terá sido provocado pelo uso de uma motorroçadora durante trabalhos em espaço florestal.

Lusa | 12:42 – 03/08/2026

“O IPMA contribui para as estimativas de emissões do CAMS, produzindo dados de Fire Radiative Power (FRP) obtidos por satélite, que também podem ser visualizados na aplicação”, pode ler-se na publicação partilhada pelo IPMA.

Pode encontrar esta aplicação no site oficial que o CAMS dedicou ao Fire Emissions Watch.

Plataforma portuguesa de IA está a ser testada para combater incêndios

A plataforma SIION, descrita à Lusa pelo criador, João Santos, como “um supermodelo de combate a incêndios”, por ajudar na tomada de decisão e antecipação, com recurso a Inteligência Artificial, está já em fase de testes.

“A grande mais-valia é conseguir comprimir decisões num curto espaço de tempo. Isto é uma ferramenta de Inteligência Artificial que analisa muitos dados, não digo em tempo real, mas quase, e o que humanamente seria quase impossível de decidir, agora a máquina consegue prever com algum grau de confiança”, explica João Santos, em entrevista à Lusa.

A SIION ficou em segundo lugar na final nacional do ClimateLaunchpad, um concurso de ideias de negócios sustentáveis, que decorreu na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, e encontra-se em fase de testes já em contexto empresarial, prevendo o criador que entre o final deste ano e o início de 2027 possa chegar a mais empresas e territórios.

“Basicamente, é o próximo nível dos sistemas de combate aos incêndios, um sistema de recomendação, em tempo real, do posicionamento dos recursos. É como se fosse um ‘GPS’ para comandantes”, acrescenta.

A SIION difere em relação a outros sistemas de previsão do comportamento do fogo já existentes ao cruzar informação para “sugerir quais os recursos e onde devem estar”.

Ministro anuncia apoios para produtores afetados pelos incêndios

O ministro da Agricultura anunciou hoje a abertura de avisos para a reposição do potencial produtivo após os estragos em vinha, olival e amendoal causados pelo incêndio que começou na semana passada em Valpaços e atingiu 13,8 mil hectares.

Lusa | 13:54 – 03/08/2026

“Antecipamos a decisão, chamamos-lhe um sistema de recomendação, ainda estamos numa fase muito inicial. (…) [Queremos] melhorar a eficiência de cada recurso, quando os recursos são escassos, e antecipar zonas perigosas para bombeiros, antecipar qual o recurso ideal para aquele tipo de incêndio”, exemplifica.

Plataformas como esta, considera, ajudam não só a antecipar ou tornar mais rápidas as decisões quanto ao combate a incêndios como também a prevenir os efeitos do desgaste de dias em cima de dias de trabalho no terreno.

“Chega a um ponto em que já não é possível processar tanta informação. Para onde vai o vento, qual o tipo de solo, de chama… a máquina consegue fazer isto tudo em tempo recorde”, refere.

Em testes para poder incorporar a tecnologia num produto que possa ser aplicado em contexto real, descreve-o como “um supermodelo de combate a incêndios” para permitir aos envolvidos estarem “um passo à frente”.

João Santos, de Lisboa, tem 41 anos, vem de uma família de bombeiros – do irmão à maior parte dos primos – e aliou a formação em Engenharia Florestal ao mestrado em Inteligência Artificial e Data Science obtido na Universidade de Liverpool em junho.

O segundo lugar no concurso da UPTEC mostra “alguma necessidade” deste tipo de soluções no combate aos fogos, defende.

A competição foi vencida pela Latent Energy Systems, que está a desenvolver uma solução de armazenamento térmico para descarbonizar o calor industrial, que levará à final mundial.

 



Fonte: Notícias ao Minuto

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