
Apesar de não ser, exatamente, no Dia da Mulher, o momento foi dedicado a elas, bem como já é sempre neste espaço e — o Lifestyle ao Minuto acompanhou o evento.
Idealizado pela Art Z Hair & Experiencie, em conjunto com a SheerMe e com a Kérastase, estas empresas lideradas por mulheres criaram uma Women’s Experience.
“A mulher que sou vs. A mulher que esperam que eu seja” foi o tema central moderado pela influencer Ruth Oliveira que, também proporcionou alguns momentos de partilhas pessoais.
Para “falar destes temas importantes”, a organização garante que só seria possível uma abordagem mais técnica e construtiva com a presença da psicóloga clínica Himali Bachu.
Além do tema central, esta especialista colocou em cima da mesa alguns tópicos como auto-conhecimento, auto-estima, auto-confiança, ansiedade e alguns dos desafios atuais enfrentados pelas mulheres.
De salientar que, neste evento, os únicos homens que estiveram presentes foram os hairstylists, que se certificaram de fazer ondas em todos os cabelos. Porém, não pense que os homens foram colocados de lado por falta de feminismo, pelo contrário, neste momento de partilhas, o feminino masculino também ficou esclarecido: É possível, sim, um homem ser feminista!
No entanto, uma mulher “antes de ser feminista, tem de saber ser mulher”: Foi esta uma das primeiras ideias de Himali Bachu, que admitiu que pudesse ser um confronto, aparentemente, polémico. Porém, sem receios, a especialista desdobrou a expressão.
Ser mulher implica ser “o que ela quiser”. A partir daí, para esta psicóloga, a mulher também já é, sim, verdadeiramente feminista.
Mas, afinal, o que é ser mulher?
Esta especialista, de origem indiana, remeteu para a própria experiência em que, culturalmente, “eram exigidas uma série de coisas” que acabavam por colidir com os próprios interesses e prioridades: “Estava a viver em dois mundos”.
“Ser mais mulher e menos feminista” foi a premissa controversa que a ajudou e que lhe permite, atualmente, ajudar outras mulheres em processo de terapia. Este raciocino rege-se pela ação, em detrimento da justificação ou tentativa de elevar o estatuto da mulher.
Himali Bachu explicou que uma mulher antes de ser feminista, mais do que ter de dizer à sociedade o que pretende, tem de saber colocar-se no papel de mulher, isto é, “respeitar-se, saber colocar os limites” que verbaliza enquanto feminista. Daí para a frente, a especialista garante que a mulher terá ainda mais força para lutar pelas suas causas.
E para os homens que se dizem feminista “para parecer bem”, tal só acontece quando respeitam essas decisões e vontades da mulher.
O que leva a mulher a entrar na espiral de seguir as vontades da sociedade?
É frequentemente incutido à mulher que ‘tem de saber resolver tudo’ e, por isso, acaba por não se permitir dizer que ‘não’. O único foco da mulher passa a girar em torno de tudo aquilo que a sociedade quer.
A mulher tem de ter filhos antes dos 30, a mulher tem de ter uma cintura delgada e uma vida socialmente ativa, mas com moderação. A mulher tem de ser mais isto e menos aquilo — são estas algumas das sugestões, por sinal, contraditórias, da sociedade.
Mas como pode a mulher chegar ao ponto de se esquecer do que ela própria verdadeiramente quer?
- Expectativas incutidas pela sociedade
- Referências incutidas desde a infância
Consequências de seguir os desejos da sociedade
“Depois a mulher quer fazer tanta coisa que acaba por se tornar insegura. Procura muita validação. Acaba por ter uma auto-estima mais baixa porque realmente acaba por ter a capa de ser a mulher perfeita, de ser a profissional que tem de fazer tudo de uma vez e a esposa perfeita”, descreve.
Quantas mulheres ou quantas personalidades temos de ter em simultâneo para conseguir ser respeitadas pela sociedade? Esta especialista sublinha a importante necessidade de vivermos a nossa realidade, ao invés daquela que os outros nos impõem. “Aprender a dizer que não é libertador! Precisamos de coragem para dizer que não e saber impor limites”, garante.
“De que vale proteger tanto se não somos protegidas?”, lançou a questão antes de explicar que, é bastante comum as mulheres passarem o tempo livre a investir na formação de: “Licenciatura em: Eu faço tudo; Mestrado em: Eu posso tudo; Doutoramento em: Super mulher”, mas às vezes, “falta honestidade conosco”.
Habituadas a tantas imposições, acabamos por nos desligarmos dos nossos verdadeiros interesses.
E quando já não sabemos o que queremos?
E se, afinal, uma mulher se sentir mais empoderada em casa a cuidar dos filhos, ao invés de ser proprietária de vinte negócios diferentes? O que se concluiu é que a sociedade vai sempre reagir com algum espanto, seja lá qual for a decisão da mulher.
Como tal, para nos reencontramos e quebrarmos o ciclo de interesses da sociedade a psicóloga garante que “o autoconhecimento é a base de tudo”.
Pirâmide do reencontro individual
Ao começarmos a dizer ‘não’ e ao escolhermos o que queremos, Himali Bachu garante que passamos do nível da auto-aceitação para a auto-validação e, só depois conseguimos passar para a auto-estima.
O que acontece depois?
Chegar ao patamar da auto-estima nem sempre torna tudo logo perfeito, mas, a especialista garante que estes são os passos suficientes para as mulheres se libertarem de algumas amarras, sobretudo da culpa que sentem, por vezes, somente por fazerem algo que gostam.
E, mesmo depois deste trabalho de autoconhecimento, “não quer dizer que, em algum momento, não haja um retrocesso”. Porém, agora com mais confiança e “força para impor limites”, reforça.
Espreite a galeria para ver alguns registos deste evento.
Numa sociedade em que ainda existe o estigma de que “o lugar da mulher é na cozinha”, falámos com a chef Marlene Vieira, a propósito do Dia da Mulher, e percebemos que, mesmo assim, ainda existem algumas dificuldades para as mulheres alcançarem o devido reconhecimento nesta área.
Inês Morais Monteiro | 08:04 – 08/03/2026
Fonte: Notícias ao Minuto