Análise a “Wolverine”. O melhor jogo do super-herói (com imperfeições)

Grande parte da história da PlayStation foi construída a partir de jogos exclusivos desenvolvidos não só por parceiros dignos de nota, como também dos seus próprios estúdios. Ainda que só recentemente (em 2019) tenha sido adicionada ao catálogo de estúdios internos da Sony, a Insomniac Games tem uma longa lista de contribuições com jogos que […]

Análise a “Wolverine”. O melhor jogo do super-herói (com imperfeições)
Análise a “Wolverine”. O melhor jogo do super-herói (com imperfeições)


Grande parte da história da PlayStation foi construída a partir de jogos exclusivos desenvolvidos não só por parceiros dignos de nota, como também dos seus próprios estúdios. Ainda que só recentemente (em 2019) tenha sido adicionada ao catálogo de estúdios internos da Sony, a Insomniac Games tem uma longa lista de contribuições com jogos que ajudaram a formar a imagem que temos hoje em dia da PlayStation.

Começando com “Spyro the Dragon” para a PlayStation original, a Insomniac Games é ainda responsável pela franchise “Ratchet & Clank” que está connosco desde os primeiros tempos da PlayStation 2 e por ajudar a impulsionar o ciclo da PlayStation 3 com a série “Resistance”.

Pelo caminho, o estúdio procurou também desenvolver jogos para realidade virtual e, na geração da PlayStation 4, foi responsável por aquele que é ainda considerado como o melhor jogo baseado no Homem-Aranha naquela que foi a sua primeira colaboração com a Marvel. Entretanto tivemos direito a mais dois títulos da série “Marvel’s Spider-Man” mas, em 2026, os jogadores têm agora a oportunidade de jogar a mais um jogo fruto desta colaboração entre a PlayStation, a Insomniac Games e a Marvel.

Falamos então de “Marvel’s Wolverine”, um jogo de ação que será lançado como um exclusivo da PlayStation 5 no dia 15 de setembro e está a ser apontado como a grande aposta da divisão de videojogos da Sony para este final de 2026.

© Sony Interactive Entertainment / Insomniac Games  

Tive a oportunidade de passar as últimas semanas a jogar a “Marvel’s Wolverine” por via de um código enviado pela PlayStation Portugal, o que nos permite dizer que se trata de mais um jogo de grande qualidade da Insomniac Games – ainda que, pela primeira vez muitos anos, possamos dizer que o estúdio está fora da sua zona de conforto.

Grande parte daquele que é o ADN da Insomniac Games está em jogos como “Ratchet & Clank”, “Resistance” e até em “Sunset Overdrive”, ou seja, títulos dentro dos géneros Third Person Shooters ou First Person Shooters (Atiradores na Terceira Pessoa e Atiradores na Primeira Pessoa, respetivamente, em Português).

Mesmo com “Marvel’s Spider-Man” foi possível ver a Insomniac Games a usar alguma da sua experiência na forma como tornou divertido para os jogadores moverem-se pela cidade de Nova Iorque – fazendo o Homem-Aranha balançar-se com teias ser tão divertido quanto possível. Qualquer pessoa que tenha jogado a “Marvel’s Spider-Man” sabe bem que esta era a parte mais divertida do jogo propriamente dito e, ainda que o combate não tenha comprometido, também não se distinguiu.

Acontece que, sendo um jogo de ação, o combate de “Marvel’s Wolverine” é uma parte muito maior do jogo. Ainda que existam alguns segmentos de exploração e plataformas, são raros e demasiado simples para que contribuam de uma forma relevante para a experiência. Tal como seria de esperar, o combate e a forma como Wolverine é explorado enquanto personagem são os grandes focos deste novo jogo da Insomniac Games. Será que o estúdio foi bem-sucedido?

Em larga medida, posso dizer que sim. “Marvel’s Wolverine” é um bom jogo de ação e será sobretudo especial para os fãs do super-herói da Marvel. A história tem lugar antes de Logan pertencer aos X-Men e começa com o encontro com Nathaniel Essex – um nome conhecido entre os fãs de “X-Men” e cujo propósito na trama não vamos desenvolver de forma a não estragar a surpresa de quem não saiba.

Notícias ao Minuto© Sony Interactive Entertainment / Insomniac Games  

É após conhecer Essex que Logan se junta a uma equipa – a Team X, formada por Sabretooth e Mystique – para lutar para que os mutantes tenham um lugar no mundo, lutando contra Bolivar Trask e contra a The Hand. Estou a ser deliberadamente vago com a história por esta ser uma parte tão importante de “Marvel’s Wolverine”, mas o que posso dizer é que o enredo me deixou interessado durante todo o jogo. Como alguém que se encontra a ver “X-Men ’97” e está entusiasmado pela chegada dos X-Men ao Universo Cinematográfico da Marvel, estou especialmente interessado nas histórias individuais que compõem esta equipa de super-heróis.

Neste ponto, Wolverine é uma escolha especialmente interessante da parte da Insomniac Games. Numa entrevista que fizemos ao diretor criativo do jogo, Marcus Smith, o produtor adiantou que desenvolver um jogo sobre esta personagem em particular foi uma escolha do próprio estúdio devido às (muitas) camadas que a compõem.

Falo do facto de Wolverine não se recordar de uma boa parte do seu passado, algo que é amplamente explorado pela Insomniac Games e que contribui de forma positiva para a forma como o enredo se vai desenvolvendo. Ao longo do jogo há ainda múltiplas personagens conhecidas do universo X-Men e, além dos que já referimos, há também por encontrar Omega Red, Lady Deathstrike, Shiro Yoshida e também Jean Grey.

Enquanto fã de “X-Men” gostei especialmente de ver a forma como se desenvolve a relação entre Logan e Jean Grey – desde que se conhecem, até aparecerem os primeiros indícios de um interesse romântico mútuo e passando ainda pelas desavenças entre ambos. Dado que, normalmente, vemos Nathan Summers (Cyclops) sempre envolvido neste tipo de histórias, foi bom ter um vislumbre do passado entre Logan e Jean.

Notícias ao Minuto© Sony Interactive Entertainment / Insomniac Games  

Além da jornada pessoal de Logan, a narrativa também explora temas sempre presentes nas bandas desenhadas de “X-Men”, nomeadamente a ostracização dos mutantes e o facto de, enquanto seres humanos, todos quererem ser aceites pelos outros por aquilo que são. 

Ao contrário de “Marvel’s Spider-Man”, que se passava numa Nova Iorque aberta à exploração, em “Marvel’s Wolverine” a progressão é completamente linear. Ao longo da história o jogador será levado para múltiplos lugares no mundo, desde o Canadá, passando por Madripoor e até ao Japão – com o bairro de Shinjuku a ter sido recriado com grande detalhe e que foi, pessoalmente, um dos melhores segmentos do jogo. É uma escolha que faz sentido e que permite à Insomniac Games pegar no passado de Wolverine com mais liberdade do que aconteceu nos jogos de “Spider-Man” no que diz respeito às localizações.

Posto isto, gostaria de falar sobre o combate. À primeira vista pode parecer que é demasiado simplista, uma vez que há apenas dois botões de ataque (fraco e forte) e está disponível a possibilidade de bloquear ataques no timing certo. Acontece que o combate apresenta uma dinâmica quase única no contexto de outros jogos de ação – sobretudo em relação à barra de Fúria – e que explora a capacidade de cura de Wolverine.

Em “Marvel’s Wolverine” há um incentivo em ter uma abordagem tão agressiva quanto possível. Atacar vários inimigos em sucessão e bloquear ataques no timing correto permitem encher esta barra de Fúria que se encontra dividida em três partes. Encher a primeira parte da barra de Fúria é possível curar toda a vida de Wolverine no caso de levar demasiado dano dos inimigos e, assim que a segunda barra encher, é iniciado um estado de frenesim onde é possível eliminar com um único ataque qualquer inimigo que apareça pela frente. Caso chegue ao final de um encontro com inimigos com esta barra de Fúria parcialmente preenchida, esta é esvaziada em troca de uma barra de Saúde cheia.

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Wolverine também pode encher continuamente a barra de Saúde fazendo determinados ataques críticos. Por exemplo, encostar um adversário a uma parede e desferir um ataque forte ajuda a encher a barra de Saúde. Acontece que, com a quantidade de inimigos que surgem pelo caminho de Wolverine, é praticamente garantido que sofrerá algum dano e, desta forma, o combate mais frenético e agressivo do jogo ganha uma segunda camada que está em atacar como forma de manter Logan a lutar durante mais tempo. Até porque não existem quaisquer itens para curar como acontece em outros jogos deste género.

Ainda que não seja um sistema idêntico, esta abordagem da Insomniac Games é semelhante à que encontramos, por exemplo, em “Bloodborne” da FromSoftware. Neste jogo, o ataque de um inimigo não significa perder totalmente a vida, com o jogador a ter uma pequena janela de oportunidade de recuperar uma porção significativa caso consiga ripostar.

Este incentivo faz com que, tanto em “Bloodborne” como em “Marvel’s Wolverine”, o combate se torne mais frenético, visceral e caótico – algo que aprecio enquanto fã de jogos de ação.

Entre todo o espetáculo que é ver Wolverine a saltar entre adversários, desferir golpes mortais e ver sangue dos inimigos a voar por todos os lados, a dinâmica entre as barras de Fúria e de Saúde ajudam a manter o combate interessante. Ajuda também o facto de, à medida que o jogador vai ganhando cada vez mais experiência, seja possível desbloquear ataques especiais.

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Há também uma “skill tree” com o nome de Adaptations e que, na prática, são habilidades passivas que ajudam a aproximar o combate do estilo de cada jogador – quer este procure manter uma postura mais agressiva eliminando o tempo de espera entre usos de ataques especiais ou procurando aumentar o ritmo com que é restabelecida a barra de Saúde.

Concluindo a análise ao sistema combate de “Marvel’s Wolverine”, inicialmente confesso que temi que se tornasse repetitivo e algo cansativo. No entanto, à medida que ganhei cada vez mais ataques e desbloqueei habilidades passivas, vi-me cada vez mais absorvido pelo combate. 

A Insomniac Games procurou introduzir uma maior diversidade com segmentos de ação furtiva. Não são sequências que penalizam o jogador caso seja descoberto pelos inimigos e podem ser abandonadas em favor de uma abordagem direta, pelo que se tornam algo desnecessárias. Tenho a mesma opinião sobre as atividades secundárias e que, neste jogo, são apresentadas como memórias fragmentadas de Wolverine, onde o jogador é “transportado” para arenas cheias de inimigos ou deve chegar a uma meta tão rapidamente quanto possível.

Senti que estas atividades secundárias quebraram um pouco o ritmo de jogo e, eventualmente, sempre que apareciam portas (com tonalidade roxa) durante o percurso ficava algo aborrecido – sobretudo porque são a forma mais eficaz de conseguir desbloquear mais habilidades passivas. Felizmente, não são sequências muito longas.

Notícias ao Minuto© Sony Interactive Entertainment /  

Por outro lado, dei por mim constantemente surpreendido com a qualidade do grafismo. Se “Ratchet & Clank: Rift Apart” e “Marvel’s Spider-Man 2” já tinham servido para a Insomniac Games mostrar o que era capaz de fazer nesta geração de consolas, “Marvel’s Wolverine” continua a servir de exemplo para o melhor que a PlayStation 5 é capaz de fazer. Pormenores como os cabelos das personagens e também os ambientes do jogo estão especialmente bem recriados, mas neste departamento tenho de fazer um parêntesis em relação ao design artístico do jogo.

A minha única queixa em relação ao departamento visual prende-se com os modelos das personagens. Não que algum deles esteja mal feito ou não tenha o seu charme. O grande problema está na forma como se deu atenção a Logan e Nathaniel Essex quando comparado com as restantes personagens.

Acontece que Logan e Nathaniel Essex são interpretados por Liam McIntyre e Troy Baker (respetivamente) e a aparência e expressões faciais dos atores são aproveitadas no jogo com efeitos muito positivos. No entanto, tendo em conta que as expressões de outras personagens não apresentam o mesmo nível de complexidade, o “fosso” entre as duas abordagens quebra muitas vezes a imersão da experiência.

Nem falo propriamente de Jean Grey, mas outras personagens no jogo acabam por ter um aspeto mais genérico e, em cenas em que interagem com Logan ou Essex, a diferença entre elas fica (demasiado) clara.

No que diz respeito a jogabilidade, poderá esperar uma aventura que ronda as 15 horas de jogo, dependendo das atividades secundárias que queira completar. Além disso, poderá ainda focar-se em desbloquear os (muitos) fatos secundários e garras de Wolverine e que remetem para bandas desenhadas específicas deste super-herói.

Considerações finais

Mesmo com as críticas que possa apontar a “Marvel’s Wolverine”, é inegável que se trata de mais um trabalho de grande qualidade da Insomniac Games. Mais ainda, é uma das ocasiões em que vemos o estúdio, com pouca experiência neste tipo de jogos de ação, a mostrar-se capaz de ir além da sua zona de conforto.

Sobretudo, “Marvel’s Wolverine” é um jogo fiel às raízes da personagem de banda desenhada e traça o seu próprio caminho que se adivinha ser apenas o começo de uma série de jogos e uma parceria com a Marvel para continuar.

Pontos fortes

  • Sistema de combate bem pensado a partir das habilidades de Logan;
  • História explora temas conhecidos de “X-Men”, focando-se não só na ostracização vivida pelos mutantes como também no passado do protagonista;
  • São visitadas várias localizações, com o bairro de Shinjuku, em Tóquio, a ser um dos pontos altos;
  • Grafismo aproveita (e bem) o desempenho da PlayStation 5;

Pontos fracos

  • Apesar do detalhe do grafismo, há um desequilíbrio nas expressões faciais dos protagonistas e das personagens secundárias;
  • Com mais de 15 horas de jogos, para alguns jogadores pode tornar-se demasiado longo e repetitivo;
  • Atividades secundárias podiam (e deviam) ser muito mais criativas;

Ideal para…

Tratando-se de uma história focada em Wolverine, este é um jogo muito fácil de recomendar para os aficionados pela banda desenhada da Marvel e sobretudo por “X-men”. Mesmo que não seja o mais acérrimo fã de Wolverine, a presença de outras personagens da franchise faz de “Marvel’s Wolverine” uma aposta viável para quem gosta da equipa de super-heróis da Marvel.

Dado o foco em combate e com segmentos pouco diversificados, “Marvel’s Wolverine” pode tornar-se repetitivo se gosta de jogos com mais exploração – como acontece com os jogos do Homem-Aranha já lançados pela Insomniac Games. No entanto, os fãs de jogos de ação gostarão de explorar os sistemas e certamente ficarão satisfeitos em jogo aquele que é, sem dúvida, o melhor jogo de Wolverine.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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