
Lembro-me bem de, quando era criança, acompanhar a minha mãe ao supermercado e de passar à frente de uma loja que tinha na montra uma cópia de “Lylat Wars” (nome adotado na Europa para “Star Fox 64”). Na altura, tinha curiosidade no jogo mas, dado que era mais interessado pelas aventuras de “The Legend of Zelda” ou os combates de “Super Smash Bros. para a Nintendo 64, a franchise protagonizada por Fox McCloud passou-me ao lado.
Contudo, anos mais tarde e com os meus próprios meios financeiros, tirei o pó à consola da Nintendo e adquiri uma cópia de “Lylat Wars”. Fiquei espantado com a rapidez com que cheguei ao fim da aventura numa só sessão de jogo e, desejoso de jogar a mais, comecei de novo com o objetivo de encontrar outros percursos e desbravar os perigos do Sistema Lylat na companhia dos outros mercenários da equipa Star Fox.
Já se passaram mais de dez anos desde então e, em 2026, tive a oportunidade de voltar a desfrutar da aventura de “Star Fox 64” num remake que foi lançado no final de junho para a Switch 2. “Star Fox”, como foi chamado este remake, foi criado para familiarizar uma nova geração com a franchise e, de acordo com a nossa experiência, esta é uma boa oportunidade para o fazer.
© Nintendo
Acontece que “Star Fox” é não só uma cápsula do tempo – representando o género “on-rails shooter” que era tão popular nos anos 90 – como também uma prova que continua a ter as suas virtudes no nosso tempo, sobretudo quando apresenta uma estrutura tão particular como esta.
Tal como acontece com o original, esta versão de “Star Fox” é excecionalmente curta e é possível chegar ao fim da história em pouco mais de 2 horas. Acontece, contudo, que este título foi desenvolvido para ser jogado múltiplas vezes, com a campanha a poder tomar percursos completamente diferentes de acordo com as ações do jogador durante os níveis.
A história começa com um ataque ao planeta Corneria a mando do vilão Andross, com os mercenários que compõem a equipa Star Fox – Fox McCloud, Falco Lombardi, Peppy Hare e Slippy Toad – a receberem um pedido de ajuda para lidar com os invasores.
© Nintendo
Uma vez evitada esta invasão, o grupo é então enviado para mais regiões do sistema Lylat, aproximando-se gradualmente da base do grande vilão – responsável pelo desaparecimento do pai de Fox, James McCloud.
O mais interessante sobre a campanha de “Star Fox” é que cada vez que tenta completá-la poderá ser levado para diferentes partes deste sistema. A campanha é sempre composta por sete níveis mas, caso falhe em determinados objetivos ou ajude determinados companheiros, o seu percurso poderá levá-lo a visitar a estrela no centro deste sistema solar, um planeta subaquático ou uma zona de combate aberto contra outros mercenários.
Cada um destes planetas tem os seus objetivos específicos e, em alguns deles, poderá até controlar um tanque ou um submarino ao invés da nave Arwing onde têm lugar a maioria dos níveis. O que se mantém comum a todos estes níveis é a forma rápida como estes níveis podem ser terminados, o que faz com que “Star Fox” seja especialmente indicado para jogar em sessões mais curtas em modo portátil.
© Nintendo
Tal como acontecia no original, a campanha de “Star Fox” foi feita a pensar em múltiplas tentativas – pelo que terá de estar atento ao que lhe é pedido por outras personagens se quer seguir por outras rotas na direção até ao último planeta, Venom.
A estrutura mantém-se a mesma e o combate continua tão rápido e intuitivo como sempre, com as secções num mapa aberto a terem-se tornado, contudo, um pouco mais agradáveis. Talvez os ecrãs mais largos dos tempos modernos sejam mais indicados para lidar com toda a informação do ecrã do que o formato quadrado das antigas televisões.
O que mais mudou neste novo remake de “Star Fox” são mesmo os modelos das personagens. O grafismo mais evoluído foi aproveitado pela Nintendo para dar aos diferentes personagens um aspeto mais “animalesco” e, apesar deste aspeto mais realista, a personalidade de cada um continua presente.
© Nintendo
O aspeto dos novos modelos de personagem será sempre uma questão de preferência e, ainda que não seja um ponto propriamente negativo, sou da opinião que seria mais indicado algo mais próximo da representação de Fox McCloud no filme “Super Mario Galaxy – O Filme”.
Apesar desta direção não ter sido a nossa preferência, a verdade é que a aposta da Nintendo em adicionar mais cutscenes ajuda a desenvolver mais a e explicar a motivação de algumas das personagens. Poderia dar-se o caso de ter o impacto inverso, mas felizmente acabam por ser uma adição positiva.
O maior ponto negativo de “Star Fox” prende-se com o número de vezes que os fãs já tiveram a oportunidade de jogar este mesmo jogo. Se não teve a oportunidade de jogar a “Star Fox 64”, a verdade é que já teve outras ocasiões de desfrutar desta aventura com “Star Fox 64 3D” (lançado para a Nintendo 3DS, em 2011) e também com “Star Fox Zero” (lançado para a Wii U, em 2016).
© Nintendo
Se já jogou qualquer um destes jogos, este é um jogo que já conhece bem e, portanto, torna-se difícil de recomendar. Contudo, se esta é a primeira vez que experimentar um “Star Fox” ou tem boas memórias de “Star Fox 64”, a estrutura e o grafismo atualizado fazem a experiência valer a pena.
Considerações finais
É sempre interessante analisar jogos que nos fazem voltar ao passado e não apenas por nostalgia. Como já referi acima, acontece que esta versão de “Star Fox” para a Switch 2 é não só uma cápsula do tempo, como também um sinal claro que o género continua a garantir diversão e tão relevante quanto foi outrora.
Por muito poucas que sejam as novidades, ver os diferentes planetas com grafismo atualizado e as interações entre as personagens – sobretudo a rivalidade entre Fox e Falco – é capaz de colocar um sorriso na cara de qualquer um, nem que seja pela oportunidade de ver uma das personagens mais icónicas da Nintendo a ter a novamente o seu lugar ao sol.
Pontos fortes
– Grafismo atualizado traz “Star Fox 64” para a era moderna;
– Diversidade de planetas, cada um com objetivos específicos;
– Estrutura que leva o jogador a percorrer rotas distintas no caminho até Venom;
– Jogabilidade continua tão afinada como sempre;
– Ideal para sessões curtas;
Pontos fracos
– Os modelos de personagens são um pouco fracos demais;
– Mesmo que tenha sido criado como um remake fiel, está na altura de a Nintendo criar novas aventuras com Fox McCloud;
Ideal para…
Os fãs da Nintendo que tenham uma Switch 2 e que nunca tiveram a chance de jogar a um “Star Fox” devem ver no lançamento deste remake uma oportunidade única. Os fãs do género “on-rails shooter” também devem ser capazes de apreciar este regresso ao passado, sobretudo os que não tenham problemas em desfrutar múltiplas vezes da mesma campanha – mesmo que tenham caminhos diferentes.
Por outro lado, se jogou alguma das versões anteriores – “Star Fox 64” original, “Star Fox 64 3D” da Nintendo 3DS ou “Star Fox Zero” da Wii U – e ainda tenha esta aventura bem fresca na memória, é difícil justificar a compra a não ser por pura nostalgia.
Leia Também: Um dos melhores jogos de 2026 terá direito a expansão (em breve)
Fonte: Notícias ao Minuto
