
A Dragão Arena corre sérios riscos de vir a ser interdita, na sequência da polémica que derivou do ‘escaldante’ Clássico da jornada inaugural da fase final do campeonato nacional de andebol, no passado sábado, que culminou num triunfo conquistado pelo Sporting sobre o FC Porto, por 30-33.
Os leões, recorde-se, queixaram-se de um cheiro intenso a amoníaco no balneário que lhe foi disponibilizado, o que levou mesmo a que o treinador Ricardo Costa (que foi substituído por Ricardo Candeias, no banco de suplentes) e o jogador Christian Moga (que foi retirado da lista de convocados) tivessem de ser assistidos pelos bombeiros, no local.
O Ministério Público anunciou, entretanto, a abertura de um inquérito criminal, algo que pode vir a custar bastante caro ao emblema azul e branco, de acordo com declarações prestadas, esta quarta-feira, por Lúcio Correia, professor de Direito do Desporto, ao programa ‘Bola Branca’, emitido pela Rádio Renascença.
“Nesta situação vai ser muito provável a aplicação de uma sanção de multa alta, de acordo com o que a lei da violência transmite. Mas também, provavelmente, o impedimento de utilização daquele recinto na modalidade andebol. Ou seja, há alta probabilidade de o pavilhão ficar impedido de ser utilizado”, começou por afirmar.
“Penso que isto tem mais a ver com uma guerra, infelizmente, instalada entre Sporting e FC Porto do que propriamente com a modalidade andebol, portanto o andebol vem a reboque de um clima que se tem gerado entre os clubes que vem do futebol e passou par ao andebol. Espero que fique por aqui e não passe para mais nenhuma modalidade”, acrescentou.
Para Lúcio Correia, este caso contempla “crimes de natureza pública”, que colocam em causa a “própria segurança dos intervenientes”. Algo que leva o próprio a estranhar que a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) não tenha colocado em prática um “procedimento igual” ao do Ministério Público.
Ministra da Cultura, Juventude e Desporto recebe Frederico Varandas e André Villas-Boas
Esta polémica alcançou tamanha dimensão que a ministra da Cultura, Juventude e Desporto acedesse a reunir-se com Frederico Varandas e André Villas-Boas, respetivamente, presidentes de Sporting e FC Porto, ao final da tarde desta quarta-feira, na companhia do líder máximo da Federação de Andebol de Portugal, Miguel Laranjeiro.
Uma iniciativa que partiu de um pedido tornado pelo próprio clube de Alvalade, que acusou o eterno rival de ultrapassar “todos os limites”, fruto de “um balneário com cheiro tóxico e intenso que afetou o estado físico de jogadores e staff da equipa de andebol”. Algo que, referiu a nota, “não é apenas lamentável, é criminoso”.
Os leões consideraram “essencial que quem regula o desporto em Portugal assuma uma posição firme e implacável e puna, com toda a severidade, estes comportamentos indignos, que já ultrapassam os limites do admissível num Estado de direito”, pelo que pediu “com caráter de urgência, uma reunião com a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto”.
Os dragões, por seu lado, desmentiram “de forma absoluta, clara e inequívoca os relatos tornados públicos relativamente a incidentes alegadamente ocorridos no balneário visitante do Dragão Arena, antes do jogo com o Sporting”, sublinhando que “tais insinuações são graves, abusivas e totalmente destituídas de qualquer fundamento”.
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Fonte: Notícias ao Minuto
