Afinal, temos mesmo “sexto sentido”. Ciência explica como podemos usá-lo

Os cinco sentidos já conhecidos não são questionáveis, mas a estes soma-se agora o famoso “sexto sentido”. Porém, é provável que se sinta desiludo em relação à definição do mesmo. Ao contrário da definição popular, este sentido não se trata de uma capacidade mágica, secreta ou intelectual para descobrir o que pode vir a acontecer […]

Afinal, temos mesmo “sexto sentido”. Ciência explica como podemos usá-lo
Afinal, temos mesmo “sexto sentido”. Ciência explica como podemos usá-lo


Os cinco sentidos já conhecidos não são questionáveis, mas a estes soma-se agora o famoso “sexto sentido”. Porém, é provável que se sinta desiludo em relação à definição do mesmo.

Ao contrário da definição popular, este sentido não se trata de uma capacidade mágica, secreta ou intelectual para descobrir o que pode vir a acontecer ou tudo aquilo que acontece nas suas costas.

De acordo com o Science Alert trata-se, na realidade, de uma capacidade interior de ouvir o próprio corpo – a este fenómeno a ciência chama de interocepção.

Deste ponto de vista, até parece mesmo que se fala em algo sobrenatural, dado que se tratam de fenómenos invisíveis, ou pelo menos não palpáveis, como é o caso da respiração, da frequência cardíaca, da sensação de fome e sensação térmica corporal.

Para que serve este “sexto sentido”?

Apesar de passar despercebido, este sexto sentido é “extremamente importante, uma vez que garante que todos os sistemas do corpo estejam a funcionar da forma ideal”, descreveram as psicólogas Jennifer Murphy, da Royal Holloway University of London, e Freya Prentice, do University College London, no The Conversation.

De que forma é que o sexto sentido impacta a saúde mental?

No fundo, esta capacidade de percebermos o que precisamos faz com que consigamos manter o corpo funcional a todos os níveis – o que permite alcançar também um bem-estar emocional.

Além disso, mesmo as questões de níveis de fome, quando bem atendidas, podem refletir um estado psicológico profundo. Mais do que saber ouvir o corpo, corresponder às necessidades do corpo é uma forma de perceber se o estamos ou não a negligenciar. As especialistas de psicologia explicam isso com recurso a distúrbios alimentares, em que o corpo até pode estar a mostrar uma necessidade alimentar, mas o indivíduo rejeita-a.

A interocepção vai, portanto, “além de simplesmente regular as nossas necessidades biológicas e pode desempenhar um papel numa série de condições de saúde mental, como ansiedade, depressão, e transtornos alimentares”.

Explicam que alguém com ansiedade pode estar, por exemplo, muito consciente da frequência cardíaca numa situação como uma interação social ou outro acontecimento que o faça sentir desconfortável.

Investigações sobre a interocepção

Um estudo citado pela mesma fonte adianta ainda que a interocepção difere significativamente entre homens e mulheres: “Mulheres apresentam menor precisão em tarefas baseadas no coração”, o que segundo estes especialistas pode explicar, em parte, as condições como ansiedade e depressão “serem mais prevalentes em mulheres do que em homens desde a puberdade”.

Um estudo mais recente publicado na eBioMedicine mostrou ainda de que forma é que a fome impacta o humor: “Pessoas com interocepção forte e precisa revelam menos oscilações de humor do que aquelas com uma interocepção mais fraca.”

“Isso não significa que nunca tenham sentido fome, apenas parem melhores em manter o humor estável”, descreveu o psicólogo Nils Kroemer, da Universidade de Tübingen para o The Conversation.

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Inês Morais Monteiro | 16:08 – 13/07/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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