
Terminada a ligação ao Portimonense no final da época 2024/25, Ricardo Pessoa optou por não esperar muito para voltar ao ativo e aceitou o convite do Lusitano de Évora, clube onde arrancou a última temporada desportiva.
Natural de Elvas, o treinador alentejano estava mais perto de casa e optou por dar um passo atrás para ir para um clube da Liga 3, depois de já ter estado num contexto profissional no Portimonense.
A aventura em Évora durou apenas três meses, mas Ricardo Pessoa foi rápido a voltar ao ativo. No início do ano, o treinador, de 44 anos, era anunciado como treinador do Amora, também da Liga 3. Mas ficou apenas cinco jogos no clube da Margem Sul, saindo por iniciativa própria.
Em entrevista ao Desporto ao Minuto, Ricardo Pessoa admite que se precipitou um pouco nos dois últimos projetos futebolísticos. O técnico reconhece que já teve convites para voltar ao ativo, mas aponta a uma experiência no estrangeiro.
Depois de deixar o Portimonense rumou ao Lusitano de Évora. Depois de um contexto profissional como é o da II Liga, porque decidiu dar um passo atrás na carreira de treinador?
Isto nada tem a ver com o Lusitano. Vinha de três anos a ter sucesso em termos de resultados. Gostei de estar no Lusitano, mas lá está, é aquelas alturas em que se calhar depois desses três anos consecutivos… Depois do Portimonense devia ter parado, devia ter dado um pouco de tempo à minha carreira e ter esperado mais algum tempo para voltar ao ativo. Este último ano foi um pouco de precipitação de uma má decisão minha, de mais ninguém, nem dos meus empresários, nada, minha. Mas isto não invalida que o facto de ter ido para o Lusitano e depois seguir para o Amora, que não tenha sido proveitoso, ou que eu não tenha tirado alguma coisa de boa dessas situações que tirei.
As coisas não correram tão bem, mas eu acabei por tirar coisas positivas. Fez-me pensar que depois do Portimonense eu devia ter parado, e isto sem qualquer desrespeito com qualquer um dos dois clubes que eu a seguir treinei. Era o momento certo de ter parado e de ter esperado por uma situação diferente, e se calhar, naquela altura, devia ter ouvido um pouco mais quem estava ao meu redor, mas a vontade era a de querer treinar, trabalhar, porque vinha de três anos com as coisas a correrem bem. Isto no futebol é os contextos, os contextos, por vezes, dão-nos uma rasteira e eu devia ter esperado um pouco mais, devia ter tido essa paciência. Não é que eu seja um jovem, estou no futebol há muitos anos, mas o facto de querer estar a treinar, estar a trabalhar, precipitou-me.
O Ricardo é alentejano, nascido em Vendas Novas. O facto do Lusitano ser de Évora pesou na decisão?
Sim, pesou, pesou, sinceramente pesou um pouco, porque no futebol muitas das vezes estamos sempre longe da família, e aí foi um pouco que a decisão foi focada também nisso, muito nisso.
As coisas estavam a correr bem em Évora, com quatro vitórias, um empate e quatro derrotas. Qual foi a justificação para ter saído?
A justificação foi que o Presidente quis mudar, achava que era a melhor altura naquele momento e nós podemos concordar ou não. Estávamos a fazer uma época tranquila para aquilo que era o contexto de vir do Campeonato de Portugal, mas é normal, era um clube que vinha com sucesso, com um treinador que depois foi-me substituir, mas isso faz parte do futebol. A verdade é que aquilo que a equipa apresentava e jogava era positivo. Mas o futebol é isto, foi uma decisão do Presidente e quando as pessoas querem mudar ou têm alguma dúvida, quem sou eu para me estar a impor perante uma decisão. Eu gosto de ser valorizado, todos nós queremos ser valorizados, portanto só onde uma pessoa se sente valorizada é que deve continuar.
Depois do Lusitano, segue-se o Amora, onde só esteve cinco jogos. O que aconteceu para esta estadia tão curta?
Decidi eu terminá-la por vários motivos. Mas lá está, é tudo uma consequência de decisões minhas que não foram as melhores e isso atrapalha-me aqui um momento em que vinha a crescer. Mas isto faz parte do futebol, muitas vezes temos alguns tombos, as coisas andam um pouco para trás, mas o importante é nós termos força para depois seguir para a frente e é isso que eu olho neste momento.
O que se segue na carreira?
Se calhar, neste momento, mais alguma ponderação naquilo que será o projeto. Não sei se em Portugal, se no estrangeiro. que é algo que eu gostaria de experimentar. Não fecho a porta nem aqui dentro nem lá fora. Não será algo que me apareça e que eu diga que sim, terá de ser algo que tenha de ser bem pensado, bem contextualizado para não dar mais um passo atrás.
Desde que deixou o Amora, já recebeu algum contacto para ser treinador principal de uma equipa ou até mesmo para integrar uma nova equipa técnica?
Já recebi um convite para ser adjunto de uma equipa técnica e também já tive em cima da mesa dois convites de fora que não foram para a frente por questões financeiras. Para ir lá para fora temos de ter alguma valorização e eram projetos que também não se identificavam comigo dentro daquilo que eu procuro. E lá está, neste momento, tive a capacidade de perceber que não era o projeto para não dar um passo atrás, mas eu acredito que irá surgir.
E por falarmos no estrangeiro, tem alguma meta a atingir enquanto treinador?
Gostaria de ir para fora e entrar num contexto onde me permitisse, mesmo que seja um mercado mais periférico, jogar, treinar uma primeira liga e depois tentar, se as coisas correrem bem, dentro de alguns anos poder estar num campeonato que seja um pouco mais atrativo porque acredito que isso é possível.
Ambiciona treinar que tipo de equipas em Portugal? Tem experiência na II Liga, na Liga 3 e no Campeonato de Portugal…
É tudo muito subjetivo porque isto tem muito a ver também com a direção que a carreira leva. Tive a possibilidade de treinar na II Liga o Portimonense. Se as coisas correrem bem, mesmo que sejam lá fora, e houver uma chamada de Portugal, gostaria de treinar a I Liga, obviamente. Neste momento, isto é tudo um pouco muito vago estar a dizer porque isto tem a ver com a direção que a carreira leva. Mas todos nós sabemos, eu também sei, que, neste momento, não posso ambicionar treinar uma I Liga, porque o meu trajeto ainda não me permite isso, tenho de ser sincero. Mas se calhar lá fora permite-me, em algum campeonato periférico, permite-me isso, e depois logo se vê.
Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, Ricardo Pessoa, atualmente à procura de um clube para prosseguir carreira, passou em revista o que tem sido o percurso como treinador, marcado por vários sucessos no Lusitânia dos Açores, mas também por uma saída conturbada do Portimonense.
Rodrigo Querido | 08:04 – 22/07/2026
Fonte: Notícias ao Minuto
